É animador quando um filme que tem relação com a História do Cristianismo chega aos cinemas. Poder visualizar eventos sobre os quais lemos nos livros e que influenciaram toda a trajetória da nossa fé – nem que seja na ficção – nos faz ver a caminhada da humanidade com outros olhos. Por isso, exultei quando soube do lançamento de ”A Última Legião”, supostamente um longa-metragem sobre a queda de Roma no ano 476, tomada pelos bárbaros.
Esse evento foi importantíssimo para o Cristianismo, pois o fim do Império Romano do Ocidente foi o estopim para o período de trevas da Idade Média, quando a fé cristã abrigou-se nos mosteiros e o conhecimento da Bíblia ficou restrito à escuridão das bibliotecas de abadias. Com a estabilização da região no governo de Carlos Magno, no século 9 d.C., e a influência do pensamento aristotélico, a Igreja voltou a pensar. Para sistematizar a teologia e defender-se das idéias contrárias que chegavam do Oriente, o Cristianismo passou por um período de efervecência intelectual – chamado de escolasticismo -, com teólogos como Anselmo, Tomás de Aquino e John Duns Scotus. E daí em diante a teologia seguiu avante, com o humanismo, a reforma, a contra-reforma, o iluminismo e o pós-modernismo, até chegarmos aos dias de hoje.
Tudo isso para explicar por que é empolgante ver um filme sobre a queda do Império Romano, evento que impactou tanto o pensamento cristão e determinou os rumos da História da Igreja.
Porém…
Decepção! ”A Última Legião” se apropria desse evento histórico puramente como uma desculpa para construir uma farsa fantasiosa, uma fábula sobre a origem da espada Excalibur (aquela que nos contos dos cavaleiros da távola redonda o Rei Arthur retirou de uma rocha). Ou seja, o que tinha tudo para ser um solo melodioso de violino virou uma rabeca desafinada.
Pondo-se de lado a decepção pelo caráter excessivamente fictício de ”A Última Legião”, é preciso reconhecer que o filme tem lá seus méritos. Num período pós ”Kill Bill”, ”O Resgate do Soldado Ryan” e ”Coração Valente” – produções em que as lutas são apresentadas de modo extremamente realista, com sangue voando aos borbotões e pedaços de corpos sendo despedaçados impiedosamente -, dá gosto ver um filme em que as lutas são à moda antiga. Ou seja, as pessoas morrem, mas de forma não agressiva visualmente.
Só que, quando você está começando a entrar na trama e esquecendo os furos históricos, se depara com o símbolo que está presente na empunhadura da espada: um pentagrama, marca do satanismo, apresentado como um ”pentângulo”, um ‘’símbolo de fé e verdade”. Enfraqueceu. O cristão se emburra de novo. E aí começa uma série de clichês que vão empalidecendo o filme, até que ele chega ao final. Um final, aliás, totalmente previsível.
Sobem os letreiros e você sai do cinema arrastando os pés, meio chateado. A sensação é semelhante à que você tem quando vê um doce que tem aparência da délícia das delícias mas ao pôr na boca descobre que não tem gosto de nada. Ou pior: tem gosto azedo.
Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL
Os filmes são avaliados mediante a análise de suas qualidades artísticas e técnicas e, principalmente, de sua compatibilidade com a fé cristã.















