Alguns anos atrás, a aparição dos primeiros filmes feitos por computação gráfica foi um estouro. As possibilidades técnicas se ampliaram e as produtoras descobriram um filão novo para levar as famílias aos cinemas. Toy Story, de 1995, foi o primeiro realizado totalmente por computador. Seguiram-se Vida de Inseto, FormiguinhaZ, Shrek, Monstros S.A., A Idade do Gelo… Grandes visuais, vozes consagradas para os personagens (quase sempre insetos e outros animais, devido à ainda existente dificuldade de realizar movimentos e expressões humanas de forma convincente com esta técnica), algumas idéias interessantes e outras não tanto.
Mais de dez anos depois, já não há novidade alguma nisso, e essas produções clamam desesperadamente por tudo que um filme convencional necessita para funcionar: boa história, bom roteiro, boa direção, personagens interessantes, e – principalmente – algo que seja original, diferente, fresco.
Infelizmente este não é o caso de Bee Movie. A idéia original não é grande coisa, a história é fraca, o roteiro é bastante inconsistente, os diálogos são cheios de lugares-comuns (alguém merece expressões como “Be a bee!”?), os personagens (incluído o protagonista Barry B. Benson) não têm nenhuma empatia especial e as piadas são, sinceramente, bastante sem graça. Além disso, Bee Movie peca pelo excesso de referências anglo-parlantes (como o infeliz trocadilho anterior, dificilmente traduzível, ou um cameo do cantor Sting, devido a seu apelido, também dificilmente compreensível para crianças que não sabem quem ele é ou adultos que não sabem o que seu nome artístico significa em inglês) e à cultura norte-americana, como as já insuportáveis piadas de advogados chupa-sangue.
Do ponto de vista cristão, Bee Movie pode trazer algumas reflexões interessantes à tona: que toda vida criada por Deus tem valor, como afirma Vanessa ao salvar a vida de Barry B.; também que a criação de Deus é perfeita e, quando alteramos a ordem divinamente estabelecida – mesmo que com boas intenções – teremos consequências negativas em nossas vidas – que é a moral da história ecológica que o filme quer passar.
No entanto, o filme questiona o direito do ser humano à utilização do mel (que seria das abelhas), num conceito claramente oposto a Gênesis 1:26-31: Deus entregou ao homem o domínio sobre os animais e o direito de obter mantimento deles e das plantas. Além disso, Barry B. vulnera deliberadamente a Lei das Abelhas quando se decide a falar com um humano para expressar sua gratidão – uma causa nobre, sem dúvida, mas que não justifica o d
esrespeito à lei. Se fazemos um paralelo disso com a vida cristã e nossas normas de conduta, fica mais claro ainda o problema ético-moral de nosso herói. Por certo: no filme, a lei da colméia diz que todo trabalho e toda função desempenhada, por menor que seja, tem o seu valor e deve ser bem feito. Barry B. Benson cai em rebeldia, acha esse conceito tedioso e fica louco para sair da colméia e “viver a vida” com as novidades do mundo do lado de fora. Mensagem de valor duvidoso e perigosa para qualquer jovem cristão, mesmo que no final ele tenha “aprendido a lição” (se bem que o filme não deixa isso tão claro assim – talvez até pelo fraco roteiro).
Bee Movie é um filme de animação a mais, que não soma nada ao espectador cristão ou não-cristão, principalmente se ele não nasceu nos Estados Unidos. Pouco interessante, até mesmo para promover um debate ecológico na Escola Dominical.
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Presbítero Cláudio Tupinambá
Ministro de louvor da Igreja Jesús Vive
Fuenlabrada (Espanha)
Estréia prevista no Brasil: 07/12/2007
Os filmes são avaliados mediante a análise de suas qualidades artísticas e técnicas e, principalmente, de sua compatibilidade com a fé cristã.
















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