Santos e demônios * Crítica

12 12 2007

Santos e demônios Poster Demônios por toda parte

O título do filme capta logo a atenção do público cristão. Afinal, santos e demônios são personagens que fazem parte do universo bíblico. Mas que ninguém se iluda, este não é um longa-metragem com temática religiosa nem sobrenatural. Os santos e os demônios são metáforas de pessoas que conviveram com o autor da história, Dito Montiel, em sua adolescência, em especial no quente verão novaiorquino de 1986.

Santos e demônios DitoO passado mal resolvido para Dito (foto) é como uma farpa que nunca sai da pele. Fica ali, machucando, inflamando, até que se decida arrancá-la. Dito Montiel escreveu o livro A guide do recognizing your saints com o objetivo de arrancar a farpa e fazer as pazes com o passado. Das páginas para as telas, o escritor virou roteirista, diretor e, de certo modo, exorcista. Assombrado por demônios do passado, usa o livro e o filme como meios de catarse e, assim, compartilha com o público a dor da farpa que há anos fere a pele de sua alma.

Santos e demônios 2Premiado no Sundance e no Festival de Veneza, “Santos e demônios” é o grito preso que deveria ter saído na hora das discussões familiares, dos bate-bocas mal resolvidos e das angústias existenciais. Mas, agora, Montiel grita a todos pulmões por meio da direção emotiva e personalista, um grito que reverbera por meio das interpretações preciosas de Shia LaBeouf, Robert Downey Jr., Diane Wiest, Chazz Palminteri e outros atores menos conhecidos. Se Dito Montiel conseguir fazer com filmes de ficção o que fez com sua autobiografia, o público pode esperar dele grandes obras no futuro.

Santos e demônios 1Este é um filme sensível e angustiante, sobre relações humanas e a necessidade de redenção. Para o olhar cristão, é incômodo. O palavreado chulo é non-stop, com palavras torpes atrás de palavras torpes. A sexualidade dos adolescentes é retratada de forma crua e certas cenas de violência chegam a incomodar pelo realismo. Mas, se levarmos em conta que a história é composta das memórias do autor, que traz consigo personagens de uma juventude transviada, vazia e mundana, o adulto – crianças não são bem-vindos neste filme – pode relevar o conteúdo realista e buscar espremer a mensagem por trás da dureza da estampa. Afinal, nessa história poucos são os santos. Já os demônios estão por toda parte, em especial nas reminiscências de um passado triste e angustiante.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: ÓtimoCotação: ÓtimoCotação: Ótimo

Estréia prevista no Brasil: 14/12/2007

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