Uma menina de 16 anos faz sexo com seu melhor amigo de escola. Pronto, é o que basta para ela engravidar. A partir daí, Juno se vê envolvida numa teia de situações ligadas à gestação indesejada e tem que se desenrolar passo a passo, num processo de desenvolvimento e amadurecimento.
A forma com Juno usa sua língua também vai contra tudo o que Tiago defende em sua epístola. Ela fala com seu pai e com sua madrasta sem nenhum freio, com desrespeito, até. O modo com que se dirige ao seu bebê (a quem chama de ”macaco marinho”) também não é edificante. Mas, no final, fica claro que o controle da lingua faz parte de seu processo de amadurecimento.
Bem escrito e bem dirigido por Jason Reitman (de ”Obrigado por fumar”), ”Juno” provoca reflexões sobre sexo praticado na adolescência, contracepção, aborto e outros temas correlatos. Pela crueza da linguagem e pelos ângulos dos quais certos assuntos são vistos, é altamente recomendável que adolescentes só assistam a este filme sob orientação, seja de pais, líderes ou até mesmo de grupos que depois promovam debates. Pois é preciso elaborar em cima do que é apresentado nas telas, uma vez que a sexualidade é vista segundo o modelo que o mundo propaga nos dias de hoje, liberal demais para os padrões bíblicos: sexo pode ocorrer entre amigos ou entre estranhos, fazer sexo não tem nada a ver com compromissos sólidos, a gravidez não é um estigma tão pesado. Não dá é para ver o filme e depois ir direto comer pizza. É preciso digerir, com boas doses de sonrisal espiritual, tudo o que se absorveu durante os 92 minutos do longa-metragem.
Talvez o melhor de ”Juno” seja mostrar as duras conseqüências de um pecado. E talvez o pior de ”Juno” seja que o pecado em momento algum é apresentado como pecado.
Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista e professor de Teologia
Equipe CINEGOSPEL
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Os filmes são avaliados mediante a análise de suas qualidades artísticas e técnicas e, principalmente, de sua compatibilidade com a fé cristã.
















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