Transformers * Crítica

16 07 2007

Transformers Cartaz Montanha-russa empolgante mas perigosa

Tudo começou em 1984, quando uma linha de brinquedos encantou uma geração de garotos. Eram carros, aviões e outras máquinas que viravam robôs com forma humanóide. O sucesso foi tanto que pularam para a TV, numa série de animação, e para as histórias em quadrinhos. Mas o tempo passou e eles pareciam ter enferrujado, não se falava mais deles, ganharam o ostracismo. Até agora. Foram necessários 23 anos de espera para que ganhassem um longa-metragem: Transformers.

A história por trás do filme parece piada: milhares de anos atrás, uma raça de bio-robôs habitava o planeta Cybertron, mas a disputa por um cubo de energia chamado Allspark deflagrou uma guerra civil entre os maus robôs, os Decepticons, e os bons robôs, os Autobots, mas… bem, já chega, né?! Toda essa bobagem serve apenas para justificar uma trama que tem nos impressionantes efeitos especiais seu personagem principal. Inteligência zero, vibração dez. Média cinco: reprovado.

Transformers 1Transformers não tem alusões religiosas diretas, salvo em expressões pontuais: num rádio ouve-se rapidamente um pregador exclamar ”Aleluia!”; quando objetos caem do espaço na Terra, um homem diz ”isto é cem vezes mais legal que o Armagedom, juro por Deus”; e depois que uma base militar é destruída, o Secretário de Defesa americano afirma que ”nossas orações estão com as famílias desses bravos homens e mulheres”.

O filme é voltado principalmente para o público jovem. Por isso, o excesso de referências sexuais e a masturbação extrapola o limite: há diversas situações sexuais, envolvendo comentários, expressões de duplo sentido, exposição de decotes e pessoas em trajes minúsculos. O jovem herói Sam Witwicky (o garotão que fica amigo dos robôs do bem) conversa com seus pais sobre o fato de estar se masturbando ou não em seu quarto. Na parede do mesmo, pôsteres de modelos em biquinis. E Sam confessa ter revistas pornográficas sob sua cama. Não adianta: sexualmente, Sam é um mau exemplo. A questão é que, ao longo do filme, ele se destaca como um herói. O perigo está na associação que os jovens podem fazer: heróis se masturbam utilizando revistas que escondem em seus quartos? Não é um exemplo dos melhores.

Transformers 2No âmbito da violência, há diversas batalhas, com tiroteios e disparos de mísseis. Felizmente, sangue e ferimentos explícitos são escassos, mas pode ficar certo que muita gente vai morrer, seja empalada, explodida, incendiada ou destroçada. Transformers é um filme bem “levinho”, como dá para ver.

Tentei contar os palavrões, mas chegou uma hora em que perdi a conta. São incompreensivelmente além da conta, o que fere Colossenses 3.8, ”Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.

Transformers 4As figuras em posição de autoridade são retratadas de modo estereotipado, como incompetentes ou beligerantes, seja o presidente dos Estados Unidos ou outros líderes. O que incomoda, quando sabemos que o poder e a autoridade que eles detêm vêm do alto (João 19.11; Romanos 13.1-7, ”Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores, porque não há potestade que não venha de Deus”) e que a Bíblia nos instrui a interceder por eles.

Por incrível que pareça, é possível tirar boas lições de toda essa confusão oca. O lema da família de Sam é ”sem sacrifício, sem vitória”. Ao longo do filme, essa filosofia permeia as ações de personagens humanos e mecânicos, que precisam sacrificar-se em função de seus próximos. O que é o cumprimento das máximas cristãs ”preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10) e ”amar o próximo como a si mesmo” (Mc 12.33). Mas pára por aí.

Transformers 3Transformers é uma montanha-russa em forma de filme. Tem gritaria, emoções fortes, velocidade, barulho e é extremamente previsível, pois corre nos trilhos do clichê das produções do gênero. Para piorar, é salpicado de maus exemplos, violência, nudez sugerida e referências sexuais. Bom para estimular os batimentos cardíacos, ruim para a mente e a alma. Não transforme-se. Fique onde você está.

Maurício Zágari Tupinambá

Cotação: regular

[veja o trailer]

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