A Volta do Todo Poderoso * Crítica

25 07 2007

A Volta do Todo Poderoso Dá para ser liberal com o nome de Deus?
A primeira impressão ao se ler a sinopse de A volta do Todo Poderoso é ruim. Pronto, lá vem mais um filme com heresias, inventando moda com Deus e usando o nome do Senhor em vão. Afinal, ignorar o terceiro mandamento virou algo tão comum nos dias de hoje que um desrespeito a mais não seria de espantar ninguém. Mas, curiosamente, o filme é uma fábula com pontos positivos. Como entretenimento, o longa-metragem é capaz de divertir do começo ao fim, graças ao roteiro engraçadíssimo de Steve Oedekerk, Joel Cohen e Alec Sokolow (os três de origem judaica). Mas não dá para se sentir confortável com uma história em que o Senhor é apresentado com tanta irreverência, a ponto de ser chamado de ”the Big Man Himself” (”o próprio Homenzarrão”). Por mais que se queira ter boa vontade com as mensagens positivas transmitidas na trama, o temor ao Altíssimo não permite ao cristão sério ficar alheio ao retrato que se faz dEle em A volta do Todo Poderoso.

A Volta do Todo PoderosoSteve Carrell dá vida novamente ao hilário apresentador de TV Evan Baxter, de Todo Poderoso. No novo filme, ele pede a Deus (Morgan Freeman) para ajudá-lo a mudar o mundo e recebe, então, a missão de construir uma arca como a de Noé para salvar casais de animais e algumas pessoas. Obviamente, de início ninguém leva fé nele, nem seus amigos nem seus filhos ou sua esposa (interpretada por Lauren Graham, a Lorelay Gilmore da série de TV Gilmore Girls, Tal mãe tal filha, no Brasil). Em pouco tempo, a coisa muda de figura.

A Volta do Todo PoderosoOs roteiristas encontraram, em diversos momentos, jeitos de passar a perna no que a Bíblia diz. Por exemplo, sobre o fato de o Senhor ter feito a promessa de nunca voltar a destruir a humanidade com um dilúvio (Gn 9.11). O filme tenta ensinar uma lição com o argumento que usa para sobrepujar esse fato bíblico, mas não adianta: jamais podemos abrir espaço para a ficção contradizer a Bíblia, por melhores que sejam as intenções. Se começarmos a abrir exceções em nome do relativismo ou da diversão, daqui a pouco estaremos batendo palmas para os Códigos DaVinci da vida.

Também há pontos heréticos na narrativa, como na fala queA Volta do Todo Poderoso * Cr�tica diz que ”Deus vive em todas as coisas criadas”. Isso chama-se animismo e não é bíblico. Em outra passagem, o Senhor diz que a decisão de destruir a humanidade nos tempos de Noé foi um ato de amor e não de ira. Biblicamente, isto está errado. Em Gênesis 6.5-12 fica claro que a maldade humana irou e entristeceu Deus e o levou a provocar o dilúvio, como ocorreu depois com Sodoma e Gomorra.

É fato que A volta do Todo Poderoso tem pontos a favor. A Volta do Todo PoderosoApresenta Deus como o ser poderoso e amoroso que é. Mostra que Ele sempre nos conduzirá durante as provas e dificuldades, em vez de impedir simplesmente que elas ocorram. Destaca que o Senhor responde às orações de modos inesperados e que sempre há razões para que as tristezas e os sofrimentos ocorram. O Pai garante a Evan que tudo o que faz é movido pelo amor, e tudo o que Evan tem de fazer é seguir seus mandamentos e ter fé. A história também desafia o público a reordenar suas prioridades, fortalecer os laços de família e assumir uma maior responsabilidade social.

Fica a cargo de cada um julgar se é possível relevar o humor e a irreverência com que Deus e o relato do dilúvio são apresentados no filme em função de uma historinha divertida e com algumas boas mensagens morais. Se formos seguir ao pé da letra o que diz a Bíblia, veremos que não é possível. Cabe a pergunta: dá para ser cristão sem seguir a Bíblia ao pé da letra?

Maurício Zágari Tupinambá

 

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