Duro de matar 4.0 * Crítica

3 08 2007

Duro de Matar 4.0 - 01 A violência que tanto amamos!
Imagine um filme violento. Agora acrescente mais violência. E mais um pouco. Tiroteios, explosões, socos, socos, socos, quedas de alturas inacreditáveis, explosões e tiroteios. Sangue. Sobra espaço para mais violência? Então ponha. Ah, sim, não dá para esquecer dos mais de 100 palavrões mencionados durante todo o filme, uma média de um palavrão por minuto. Violência e agressividade verbal. Tudo isso com umas piadas no meio e uma cena em que a filha do personagem principal é apalpada dentro de um carro pelo namorado. Eis aí Duro de matar 4.0.

O quarto longa-metragem do policial John McClane conseguiu superar os anteriores como um anti-espetáculo para os olhos e ouvidos sensíveis. Num mundo tão violento como o nosso, em que as manchetes dos jornais nos trazem lágrimas aos olhos a cada dia pela quantidade de gente que mata e morre pelas ruas do Brasil, é difícil olhar para a tela, ver Bruce Willis dizimando dezenas de pessoas e achar que está tudo legal.

Não está.

Duro de Matar 4.0 - 02Menos de 24 horas atrás um piloto de aeronaves foi morto a tiros a 50 metros da minha casa, no Rio de Janeiro. Ele estava numa motocicleta digna de um filme de Hollywood e foi perseguido por criminosos pelas ruas da cidade, até ser abatido a tiros. Vi seu corpo estendido no chão quando saí para o trabalho. O assassinato aconteceu quase debaixo da minha janela e ceifou a vida do piloto da TAM Ricardo Frota Oliveira, de 44 anos. Se fosse filmada, a seqüência poderia tranqüilamente estar em Duro de matar 4.0. Mas o filme teve muito mais repercussão e impacto do que sua morte, provocou muito mais bochicho e discussões acaloradas. Por que será?

A verdade é que nossa sociedade está anestesiada para as verdadeiras explosões, os tiros reais, a dor que sentimos fora da ficção. Infelizmente, não dá para ver nossos jovens (e adultos, por que não?) se empolgando e comentando animadíssimos as cenas de uma violência incompreensível apresentadas no cinema sem imaginar como suas almas estão poluídas.

Pare para pensar: o público gosta dessa violência. Isso é fato.

Gosta de ver gente morrendo.

Explodindo.

Matando.

Duro de Matar 4.0 - 03E rindo por matar. Pior: rimos junto com os assassinos. E talvez ainda soltemos um “u-hu!!!” no escuro do cinema, onde ninguém pode ver o sadismo que transparecemos quando o herói esfarela o cérebro do vilão. Como chegamos a esse ponto? De quem é a culpa? Ao ver Duro de matar 4.0 custo a crer que o cinema não tem uma grande parcela de responsabilidade. É nesse tipo de ”entretenimento” que devemos gastar nosso dinheiro?

E a cada dia que passa, inocentes continuarão a morrer pelas ruas do Brasil, sem nenhum John McClaine que os socorra, enquanto nós olhamos impassíveis, à espera dos créditos finais. Que nunca virão.

Maurício Zágari Tupinambá

Cotação: ruim

[veja o trailer]
(Advertência: cenas de violência e apologia ao assassinato)

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