Sem reservas * Crítica

9 08 2007

Sem reservas Sem sal mas com pimenta

Sem reservas é um filme sem sal, mas com pimenta. Explico: sem sal porque é totalmente previsível, sem nenhuma grande surpresa. Com 20 minutos no cinema você já sabe como vai acabar. E a pimenta está numa mensagem nociva implícita na história que está cada vez mais presente nos dias de hoje: para demonstrar amor, o sexo é imprescindível. Quer provar que ama? Faça sexo. E casar para quê? Viva junto!

Embora fundamental para a estrutura da sociedade, o casamento virou algo empoeirado, velho, antiqüado, desnecessário. O que a mídia hoje advoga é: basta juntar as escovas de dente e estamos conversados. E isso nos afeta de modo sutil, mas com conseqüências nada sutis. Outro dia participei de um debate na Rádio 93 FM e dois pastores da mesa defenderam que um casal vivesse junto e tivesse vida sexual contínua até oficializar o casamento, só porque já coabitava antes de sua conversão. Fiquei chocado. A Bíblia agora depende. Depende de um monte de coisas, até para muitos de nossos ministros. Depende até do que a sociedade pensa. De contracultura passamos a remar a favor da correnteza? Será que por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos já se esfriou?

Sem reservas 1Pois Sem reservas é totalmente a favor da correnteza. Uma chefe de cozinha viciada em trabalho (Catherine Zeta-Jones) observa sua vida virar do avesso quando se vê obrigada a tomar conta da sobrinha, feita órfã num acidente de carro. Para virar seu mundo ainda mais de cabeça para baixo, ela envolve-se afetivamente com um colega de trabalho (Aaron Eckhart). Ao conversar com seu terapeuta sobre o relacionamento, a cozinheira ouve dele (e nós também): ”o que há de mal em viver junto?”.

Mas é importante reconhecer os méritos do filme. Numa época em que produções sádicas como Duro de Matar 4.0 – com explosões, rajadas de balas e assassinatos – são saudados aos gritos pelo público, é bom ver que ainda há realizadores que investem em produções menos sangrentas e inofensivas para os olhos. Em momento algum há nudez explícita e o sexo só é sugerido, nunca mostrado. O que não deixa de exaltar o uso pré-marital do corpo. Um filme previsível e com uma má filosofia. Pensando bem…méritos? Que méritos? Será que os acertos apagam os erros?

Primo Bas�lio 2Esta semana chega aos cinemas brasileiros um longa-metragem que merece muito mais crédito em termos de pôr o certo e o errado em seus devidos lugares: Primo Basílio, adaptação da obra de Eça de Queiróz, com Reynaldo Gianecchini, Débora Falabella e Fábio Assunção. A história mostra as terríveis conseqüências do adultério na vida de um casal. Sim, tem cenas de sexo, mas em termos de mensagens úteis para o casamento, é bem mais cristão do que Sem reservas. Quanto a esse assunto, é sempre recomendável ter boas e saudáveis reservas.

Maurício Zágari Tupinambá

 

Ichtus

[veja o trailer]

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