Os Simpsons – O Filme * Crítica

14 08 2007

Os Simpsons - O Filme Os Simpsons ironizam a Bíblia, Jesus e os cristãos

Como crítica à sociedade americana, a série ”Os Simpsons” é o que há de melhor. Ridiculariza o que é ridículo e satiriza o que é satírico. O filme segue a exata mesma linha: é igualzinho à TV. Com três diferenças: Bart aparece em nu frontal, Bart fica bêbado e Marge solta um palavrão ofensivo a Deus. De resto, é igual. Há um ponto, porém, em que a história pisa forte no calo dos cristãos: ridiculariza e satiriza nossa fé. Podemos ser caricaturais para os produtores, mas que a forma desrespeitosa como isso é abordado incomoda, incomoda. Haveria muito o que dizer aqui sobre como algumas situações do longa-metragem são engraçadas (e são mesmo!) ou sobre como há insinuações sexuais na história, mas vou focalizar apenas em como o cristianismo é apresentado e visto no filme.

Homer provoca um acidente nuclear e a cidade de Springfield se vê à beira da destruição. Sua família foge da cidade mas tem de encarar o dilema entre voltar e ajudar seus vizinhos ou permanecer em segurança. Aí começam os pisões nos calos: Homer vai a um funeral e reclama que os cristãos ”são ocupados demais, falando com seu Deus de mentirinha”. Ai!

E também diz que as pessoas na igreja são hipócritas idiotas. Ai! Ai!

Os Simpsons 2Em certo ponto, Homer protesta: ”Por que não posso adorar Deus ao meu modo, tipo orando pra diabo (no original, ”praying like hell”) em meu leito de morte?”. Ai! Ai! Ai!

Na igreja, o vovô Simpson é atingido por um raio do Céu, tem uma visão e cai no chão, estrebuchando. Ele ”profetiza” que a cidade vai enfrentar uma grande calamidade. Os crentes pedem que Homer resolva a situação. Ele pega uma Bíblia, dá uma folheada e a descarta, dizendo: ”Este livro não tem nenhuma resposta”. Ai! Ai! Ai! Ai!

Ele e sua família chegam atrasados a um culto e Homer entra na Igreja falando sobre ”Jebus”, em vez de ”Jesus”. Ai! Ai! Ai! Ai! Ai! Ai!

Os Simpsons 1Diante disso alguém poderia alegar que não passa de um filme inofensivo, sem o menor poder de influenciar pessoas. Bem, não é isso o que dizem as pesquisas. O seriado ”Os Simpsons” está no ar há 18 anos, um total de 400 episódios. Já ganhou 23 Emmys (o Oscar da TV estado-unidense) e gerou lucros da ordem de 1 bilhão de dólares. Sua influência vai além: um estudo do Museu McCormick Tribune Freedom, realizado em janeiro de 2006, mostrou que 22% da população dos Estados Unidos eram capazes de dizer o nome dos cinco integrantes da família Simpson, mas apenas um em cada mil indivíduos sabia dizer os cinco tópicos da Primeira Emenda da Constituição do país. Além disso, a interjeição ”D’oh!”, que Homer pronuncia a cada episódio, foi incluída no Dicionário Inglês de Oxford, o que significa que agora a palavra faz parte oficialmente da língua inglesa. Alguém ainda acha que desenhos animados não afetam a mentalidade das pessoas?

Maurício Zágari Tupinambá

 

Ichtus

[veja o trailer]

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