O Ultimato Bourne * Crítica

16 08 2007

Ultimato Bourne Violência e redenção [veja o trailer]

O Ultimato Bourne é uma grande surpresa. Você entra no cinema esperando uma espécie de Duro de Matar 4.0, com milhares de mortes sangrentas, muita ação e pouca mensagem. Mas, na medida em que a trama se desenrola, o que se descortina diante de nossos olhos é um filme violento, mas bem menos sangrento e problemático do que se poderia esperar.

O uso de palavreado ofensivo é econômico, embora presente. Não há nudez ou sexo. Apesar das abundantes cenas de ação, com seqüências de perseguição fascinantes, há muito pouco sangue. Mas há, que isso fique claro. Um homem leva um tiro na cabeça. Há troca de socos. Não é um conto-de-fadas e por isso não deve ser visto por menores de idade.

Como entretenimento, é um espetáculo, prende a atenção do início ao fim. Sem o uso de computação gráfica, os realizadores conseguiram elaborar seqüências que são pura adrenalina. Tecnicamente perfeitas.

O mais interessante no desenvolvimento do personagem Jason Bourne (Matt Damon) é que ele é um assassino sim, mas sua consciência constantemente o leva a optar por ser misericordioso. Ele tem diversas oportunidades de matar seus inimigos, mas opta por deixá-losUltimato Bourne 1 vivos ou inconscientes. A luta interior de Bourne é o mais valioso da história. Podemos tirar boas lições de suas crises interiores. Em momentos variados o personagem luta para fazer o que é certo. Às vezes, como qualquer um de nós, ele consegue, outras não. Ao final, a lição que o assassino aprende é: ninguém o fez como ele é, mas ele se transformou naquela pessoa por suas próprias escolhas. Como ”o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23), toda decisão equivocada tem conseqüências. Bourne escolhe um caminho que tira a vida de dezenas de pessoas; nada do que se faz passa em branco: semeia-se corrupção na carne, colhe-se corrupção na carne.

O Ultimato Bourne é tenso e o uso da câmera na mão acentua o ritmo frenético, causando náuseas. É quase um videoclip de duas horas. Para os amantes de ação, é um delírio. Para quem não gosta de violência, é de torcer o nariz. Para quem se satisfaz em ver personagens buscando sua redenção, é irretocável.

Maurício Zágari Tupinambá

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