A Ponte * Crítica

20 08 2007

A ponte Os cristãos e o suicídio

O Cristianismo preocupa-se mais com o que nos sucede após a morte do que com o período em que passamos sobre a Terra. A leitura da Bíblia transparece claramente que o que Jesus fez não foi visando à nossa vida terrena, mas à vida após a morte. Nossa atividade evangelística, por exemplo, devota-se a isso: levar o Evangelho ao máximo possível de pessoas antes que morram, para que possam se converter nesta vida e assim se tornarem merecedoras do Céu. É por isso que o suicídio de milhares de indivíduos por todo o mundo é tão doloroso para o crente, pois mostra que falhamos ao levar a mensagem da Cruz. Se tivéssemos alcançado a alma suicida, ela seria renovada no gozo de Cristo e seus impulsos de auto-extinção chegariam a um termo antes de a tragédia se consumar. Mas quando alguém joga-se de uma ponte, a 68 metros de altura, numa queda rumo a um choque a 195 km/h, prova que a Igreja ainda tem muito o que fazer e muitos a alcançar. E com urgência.

A ponte 1O documentário A Ponte é um importante canal de reflexão sobre a questão do suicídio e suas terríveis conseqüências para a família e os amigos. Cerca de 1.300 pessoas se mataram até hoje ao pular da ponte Golden Gate, em São Francisco (EUA). Para investigar as causas e as conseqüências terrenas desse ato, o cineasta Eric Steel posicionou múltiplas câmeras ao redor da gigantesca estrutura metálica, 24 horas por dia, durante um ano inteiro. Ele conseguiu, assim, filmar o momento preciso em que 24 pessoas deram o passo fatal – das quais apenas uma sobreviveu. Depois, entrevistou parentes e amigos dos suicidas. Sem revelar claramente às autoridades e aos depoentes as razões exatas de seu projeto, o cineasta foi alvo de críticas duras devido ao seu procedimento.

Mas o resultado é uma obra instigante, extremamente bem acabada, que evita o sensacionalismo. Steel conseguiu ainda inserir uma aura de tensão e expectativa na narrativa, ao criar mistério acerca de quem será o próximo a se lançar por cima das amuradas. As histórias são dramáticas, as entrevistas, contundentes e as imagens… bem, as imagens dispensam comentários. Explícitas, mostram as quedas e revelam sem filtros os quatro segundos de mergulho de diversas pessoas rumo à morte. Chocam e emocionam.

Não há como sair do cinema sem refletir sobre aquelas almas, as razões que as levaram a uma decisão tão extrema e o que poderia ter sido feito para evitar as tragédias. Ao final, seguimos pensando sobre a natureza do suicídio, tentando compreender o incompreensível. De tudo o que vemos nos 93 minutos de filme, fica a percepção de que precisamos urgentemente nos esforçar para ajudar o próximo e para levar o Evangelho a toda criatura. Muitas almas perecem todas os dias, como A Ponte mostra de modo tão inequívoco.

E você, o que está fazendo para evitar isso?

Maurício Zágari Tupinambá

 

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[veja o trailer]

[Pensamentos suicidas? Ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV)]


 

 

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