Licença para casar * Crítica

28 08 2007

Licença para casar Os fins justificam os meios?

Basta uma lida rápida na história de Licença para Casar (License to Wed) para o cristão torcer a cara. “Pronto, lá vem mais um filme cujo protagonista é um pastor caricato”, dá para pensar. Acostumados que estamos a ver sacerdotes apresentados de forma negativa na mídia, fica fácil suspeitar do filme, ainda mais quando o tal pastor é interpretado por Robin Williams, o mestre do deboche. Mas é só começar a projeção e… alívio: a produção passa, em geral, uma mensagem bastante tranqüila, até mesmo positiva.

Licença para casar 1O filme conta a história de Ben Murphy (John Krasinski) e Sadie Jones (Mandy Moore), um casal praticamente perfeito: eles nunca tiveram uma briga. Mas quando resolvem se casar a situação piora. A noiva freqüenta a tradicional igreja St. Augustine’s, dirigida pelo reverendo Frank (Robin Williams), e sempre teve o sonho de se casar ali. Só que há uma condição: qualquer casal que queira celebrar o casamento na igreja precisa passar pelo curso de preparação de noivos do reverendo Frank, que usa uma didática nada convencional.

Licença para casar 4A forma como o personagem de Robin Williams passa os conhecimentos bíblicos às crianças da escolinha bíblica é exagerada, o que se repete no curso com os noivos – ao longo de toda a produção. Em um primeiro momento, ele é apresentado como uma pessoa excêntrica, até mesmo insana, devido às suas técnicas nada comuns de ensino, quase a ponto de parecer ter a intenção de separar o casal. Mas, apesar disso, ao final do filme é possível observar que, mesmo muitas vezes usando uma metodologia bizarra, o pastor quer apenas que o casal se conheça mais e confronte situações com que irão se deparar ao longo do casamento, mantendo-se fiéis e tendo um matrimônio repleto e feliz.

Licença para casar 3Em meio ao humor, sobressaem os ensinamentos transmitidos pelo reverendo sobre muitos pontos importantes em um casamento: o amor, a troca, o diálogo, querer saber o que faz o cônjuge feliz, o que o outro espera receber, a cumplicidade e o comprometimento, entre outros. Nesse sentido, Licença para Casar é uma influência positiva. O longa-metragem mostra também o outro lado da moeda quando apresenta a relação do melhor amigo de Ben com sua esposa. Tudo são flores entre eles até que a união acontece, os filhos chegam e tudo fica um desespero só: o casal se distancia, surge o desamor e a falta de carinho. Outro aspecto de destaque é que no filme não há cenas de nudez, sexo explícito, nem seqüências de lutas e violência gratuita.

Licença para casar 2Em certos pontos, porém, Licença para Casar pisa na bola. O reverendo Frank é ajudado por um fiel auxiliar, uma criança apresentada como um aprendiz de pastor. O garoto é extremamente caricato, exagerado, até mesmo debochado. Nas piores cenas do filme os dois têm atitudes que qualquer cristão reprovaria, como invadir a casa dos noivos para pôr escutas e espioná-los. Pior é quando debocham da cura divina: Frank dá uma bolada no nariz de Ben e diz que vai curá-lo orando. Quando não consegue que ele melhore, diz que tal pratica nunca funciona, “o que funciona mesmo é gelo e remédio”. Além disso, há diálogos entre Ben e seu melhor amigo que deixam a desejar, o vocabulário é pesado e os conselhos que o padrinho dá ao noivo em nada lembram a ética cristã.

Concentre-se nos bons ensinamentos e prepare-se para se divertir. E, quando os créditos subirem, não vá embora. Ainda restam alguns minutos de boas risadas antes do final do filme.

Alessandra Rezende
Equipe CINEGOSPEL
Igreja Pentecostal de Nova Vida
em Copacabana (RJ)

 

Cotação: BomCotação: BomCotação: Bom

 

[veja o trailer]

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