O Vigarista do Ano * Crítica

13 09 2007

The Hoax Não darás falso testemunho

O nono mandamento não foi estipulado por Deus à toa. Uma mentira, além do seu demérito moral intrínseco, é capaz de provocar uma avalanche com conseqüências desastrosas. A mentira é algo tão nocivo que Apocalipse 21.8 estabelece que ”Quanto (…) a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte”. E como ”um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7), quem começa a faltar com a verdade corre o sério risco de ter que enveredar por cada vez mais mentiras para sustentar a primeira. O resultado promete ser desastroso. Poucos filmes mostram as conseqüências negativas das mentiras como O Vigarista do Ano.

The Hoax 1Richard Gere interpreta um homem que finge ter obtido depoimentos exclusivos do magnata Howard Hughes e que está escrevendo um livro sobre ele. Graças a isso, o escritor consegue da editora um adiantamento de um milhão de dólares pela obra. O único problema é que tudo não passa de mentira. A partir daí ele embarca numa espiral de trapaças, falácias e fraudes que acabam por conduzi-lo a um beco sem saída. A história é inspirada num fato real ocorrido no início dos anos 70.

O filme é cativante. O roteiro muito bem escrito conduz o público por meio do intrincado labirinto de mentiras criado pelo escritor Clifford Irving sem deixar a peteca cair em momento algum. Do início ao fim, a trama prende a atenção e carrega o espectador para dentro da ação. É impossível ficar impassível.

The Hoax 2Gere está muito convincente no papel do escritor pilantra, um homem tenso e cínico, bem diferente da imagem pública do ator, sempre envolvido em causas humanitárias. A direção é de Lasse Hallström, cineasta sueco responsável por filmes sensíveis como Chocolate, Regras da Vida e Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador. Como nessas produções, ele investe novamente num drama psicológico, mas com a diferença de que, agora, a adrenalina toma conta do cenário. Não uma adrenalina bombeada a tiros, socos ou explosões, mas a situações em que nenhum de nós gostaria de estar.

O Vigarista do Ano não é um filme perfeito. Lá estão mais de 30 palavrões, o nome de Deus é usado em vão, tem poucas cenas violentas (mas tem), apresenta cenas de sexo e nudez. Se não fosse por isso, teria peixes a mais na cotação do CINEGOSPEL.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: BomCotação: BomCotação: Bom

 

[veja o trailer]

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