Hairspray * Crítica

21 09 2007

HAIRSPRAY John Travolta e… nada mais

O maior atrativo de Hairspray é John Travolta no papel de uma senhora gorda, a mãe da personagem principal. A atuação dele é hilária e curiosa. Fora isso, não há muito o que elogiar nessa refilmagem da produção de 1988.Hairspray - Travolta

A adolescente Tracy Turnblad é gorducha, tem um cabelo enorme e um coração maior ainda. E adora dançar. Seu sonho é participar de um programa de dança na TV, mas a obesidade é um empecilho. Tracy luta contra o preconceito e quer conquistar os palcos de qualquer modo.

Se você crê que dançar é pecado, nem vá adiante, pois Hairspray é dança do início ao fim.

Se não, vamos adiante, mas vale a ressalva: a dança do filme (com muita coreografia erotizada, tapas no traseiro, línguas lambidas e quadris rebolativos) é só parte do pesadelo. Adolescentes fumam. A linguagem é pesada. As letras das músicas em muitos momentos são de ruborizar. A promiscuidade entre adolescentes corre como água. Permeiam o longa-metragem mensagens que afirmam que bom comportamento, estabilidade religiosa, conduta moral positiva e obediência às leis são características desnecessárias. Ufa…

PrudyA única personagem cristã é Prudy Pingleton (trocadilho com a palavra ”prude”, que em português significa ”pudica”). Ela é retratada como uma fanática religiosa, que, no entanto, usa um rosário como marcador de página de um livro de piadas sujas. Para castigar sua filha, Penny, ela a amarra à cama e a obriga a ouvir música ”de igreja”. E a chama de…”filha do demônio”(!). Os adultos da história, aliás, são todos apresentados como estúpidos ou caricatos.

Hairspray beijoO pior é que Hairspray tinha potencial para ser um grande filme. É enérgico, colorido e, no meio desse caldeirão indigesto, tem ingredientes positivos que poderiam ter sido mais explorados. Como a idéia de que segregação e acepção são errado e de que as pessoas devem lutar para evitar injustiças. Também o conceito de amor verdadeiro entre marido e mulher, independentemente de um deles ser gordo, é bastante valioso nos dias de hoje, quando se hipervaloriza a estética e o culto ao corpo. Enfim, é uma pena, mas a soma dos ingredientes acaba sendo uma sopa bastante indigesta.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: ruim

[veja o trailer]

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