O Vidente * Crítica

27 09 2007

O Vidente Abominação.. mas com um bom roteiro

Na época do Antigo Testamento, eram chamados de ”videntes” os profetas de Deus (1 Sm 9.9). Com o tempo, ganharam esse título aquelas pessoas que supostamente conseguem enxergar o futuro, um fenômeno mais associado nos dias de hoje à paranormalidade. Aí a coisa engrossa, pois a Bíblia é clara sobre consultar ”adivinhador” ou ”prognosticador”: ”todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor” (Dt 18.10-13). Nesse contexto, o personagem de Nicolas Cage em ”O Vidente” é uma abominação.

O Vidente 1Ele consegue ver sempre dois minutos no futuro. Por isso, o governo dos Estados Unidos decide convocá-lo para tentar descobrir onde terroristas vão explodir uma bomba nuclear que pode matar 8 milhões de pessoas. Só que o vidente se recusa e começa aí um jogo de gato e rato que termina num final surpreendente. Como ficção, o roteiro é bem construído, chega a fazer cócegas no cérebro. O que está acontecendo é presente ou futuro? O tiro que o personagem levou foi agora ou ele está tendo uma visão? Mas aí começam os poréns.

Perdi a conta de quantos tiros foram disparados ao longo do filme. Pessoas são fuziladas como se estivessem bebendo água. Inocentes tomam tiros à queima-roupa. E você já viu a mocinha de um filme explodir quando um cinturão com bombas é detonado preso ao seu corpo? Em ”O Vidente” vai ver (se optar por pagar o ingresso para assistir a uma carnificina desenfreada). Desculpem os mais liberais, mas não dá para assistir a isso e gritar ”u-hu!” dentro do cinema. Povo de Deus: são seres humanos sendo mortos! Agora somos a favor da pena de morte? Até quando Hollywood precisará explorar o gosto do público por sangue para faturar seus milhões?!

O Vidente 3Jessica Biel é uma ótima atriz, seu talento vem sendo comprovado desde que estrelou ”O Ouro de Ulisses”, na época ainda uma criança magricela. Hoje – dona de curvas sinuosas, lábios carnudos e cabelos que permanecem perfeitamente arrumados após uma noite de travessuras sexuais e sono profundo – ela virou o que Hollywood chama de símbolo sexual. E põe sexual nisso: em ”O Vidente” sua sexualidade é altamente explorada. Ela chega a ser apresentada enrolada em uma toalha e em seqüências em câmera lenta, com filtros na lente que exaltam seus atributos. Não é à toa que atrizes como Charlize Theron decidem se enfeiar para interpretar certos personagens (como fez em ”Monster”), porque, senão, o talento sai de foco e o que funcionam são os hormônios. Certamente não é coincidência que o material de divulgação do longa-metragem para a imprensa faz questão de dizer que Jessica foi ”eleita a mulher mais sexy da atualidade pela revista Esquire Magazine”.

O Vidente 2É claro que a personagem de Jessica acaba na cama com o de Nicolas Cage – menos de 24 horas após terem se conhecido! E a transa (para não dizer ”fornicação”, uma palavra que parece ter saído de moda) deles é exaltada como o segredo para evitar um hecatombe nuclear: não dá para entrar em detalhes para não estragar a surpresa, mas basta dizer que a noite de sexo entre eles acaba sendo algo que pode levar à salvação de 8 milhões de vidas. Segundo os realizadores, ”O Vidente” é uma ”bela história de amor”. Que amor é esse, que em menos de um dia de conhecimento já acaba sob os lençóis? Certamente não é o mencionado em 1 Co 13.

A conclusão é que ”O Vidente” teria potencial para ser uma história inteligente e racionalmente estimulante, mas acabou sendo um apelo a instintos primitivos do ser humano. Nicolas Cage merecia mais. E nós também.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: razoávelCotação: razoável

[veja o trailer]

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