Stardust – O mistério da estrela * Crítica

8 10 2007

stardust Não se fazem mais fábulas como antigamente

Você chega ao cinema com muita vontade de assistir a ”Stardust – O mistério da estrela”. Afinal, parece ser um filme bonitinho de fantasia e aventura, com um elenco estelar: Michelle Pfeiffer, Robert De Niro, Peter O’Toole, Claire Danes, Sienna Miller e Ian McKellen, entre outros. Mas aí os minutos vão passando e a coisa começa a ficar estranha. Quando se dá conta, você está assistindo a um desfile de assassinatos, bruxaria, morte de animais para fazer feitiçaria, torturas, mais assassinatos, canibalismo, animais devorando pessoas vivas, espiritismo, muito mais assassinatos… meu Deus, onde estão as fábulas de antigamente?!

Mas, como diria a bruxa vivida por Michelle Pfeiffer ao destroçar animais para ler o futuro em suas entranhas: vamos por partes.

Stardust 1O filme é longo e, em diferentes ocasiões, chato. Cenas irrelevantes estendem-se por muuuuitos minutos. A personagem de Claire Danes faz monólogos entediantes – um editor mais ágil teria nos poupado muitos bocejos. Aí aparece Robert De Niro interpretando um pirata gay que dança feito uma drag queen diante do espelho e acordamos novamente. Passam alguns minutos e lá vem Claire Danes nos dar sono de novo. ZZZzzzZZZzzz…epa! Um pai mata um filho enquanto seus outros filhos caem na gargalhada! Acordamos novamente, estarrecidos.

Reproduzindo a sinopse divulgada pelos produtores: ”Stardust nos conduz numa aventura que tem início em uma pequena cidade da Inglaterra e termina em lugares que existem apenas no mundo da imaginação. O jovem Tristan tenta conquistar o amor da bela e fria Victoria indo em busca de uma estrela cadente. A jornada o leva a uma terra esquecida e misteriosa além dos muros da cidade. Nessa odisséia, Tristan encontra a estrela, que se transformou numa garotaStardust 4 fascinante chamada Yvaine. Mas Tristan não é o único à procura da estrela. Os quatro filhos vivos de um rei – sem falar dos espíritos de seus três irmãos já falecidos – competem pela estrela na disputa pelo trono. Tristan também terá de enfrentar a feiticeira má Lamia, que pretende usar a estrela para recuperar a juventude. Ao lutar para sobreviver a todas essas ameaças – encontrando pelo caminho um pirata, o capitão Shakespeare e o suspeito negociante Ferdy, o Receptador -, Tristan vê sua missão mudar: ele precisa ganhar o amor da estrela, agora que descobriu o verdadeiro amor”. Uau. Parece inofensivo. Mas é preciso olhar mais de perto.

Stardust 3O longa-metragem é baseado num livro do escritor Neil Gaiman, autor de muitas obras de fantasia que misturam a vida real com contos de fadas, mágica e deuses pagãos. Já o diretor Matthew Vaughn até agora só havia dirigido um único filme, ”Nem tudo é o que parece”, uma ode a violência brutal, sexualidade, nudez, linguagem pesada e uso de drogas. Parece que ele decidiu levar seu estilo para “Stardust”.

Os atores são o que há de bom nesta produção. Escolhidos a dedo para atrair o público adulto aos cinemas, trazem interpretações impagáveis. Nem mesmo os efeitos especiais chegam aos pés dos talentos humanos. Se há algo que merece palmas no longa-metragem são as atuações.

Para crianças, definitivamente ”Stardust” é desaconselhável. Brinca com o sexo casual. BanalizaStardust 2 a violência. Apresenta a velhice como algo terrível. Mostra o amor verdadeiro como resultado de uma curta aventura. Retrata a morte cruamente, com gente sendo esfaqueada, decapitada, empalada, destroçada por lobos. E tudo isso revestido – perigosamente – de humor, fantasia e um tom de romance conto de fadas que mascara péssimas mensagens com uma roupagem inofensiva. Infelizmente, um beijo de “e foram felizes para sempre” no final não basta para pender a balança em favor do filme.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: ruim

[veja o trailer]

 


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