Garçonete * Crítica

12 10 2007

Garçonete Poster Agressão justifica divórcio e adultério?

Além de crítico de cinema, sou professor de Ética Cristã em um seminário teológico. A aula que mais pega fogo durante o curso é a que fala sobre divórcio. Não importa que Jesus tenha dito (Mateus 5:32; 19:9) que só pode se divorciar aquele cujo cônjuge comete adultério (no original grego, pornea: literalmente ”relações sexuais ilícitas”). Há sempre milhões de questionamentos e descontentamentos sobre o assunto. Principalmente quando a questão é: e se o marido trata a esposa como lixo e bate nela, pode separar ou não? ”Garçonete” lança esse debate no ventilador.

Garçonete 1A personagem de Keri Russel é um doce, impossível não criar de cara empatia com ela. Só que toda noite, após uma longa e cansativa jornada de trabalho, a pobre garçonete vai para casa encontrar – ou melhor, aturar – seu marido. O cara é o cão: controla sua vida, a ofende e humilha, toma seu dinheiro e a agride fisicamente. É o arquétipo do esposo que ninguém quer ter. É então que entra em cena o ginecologista, o simpático e amável Dr. Pomatter. De médico ele logo se transforma em amante.

Se você não toma cuidado, rapidinho, rapidinho joga a Bíblia no lixo e começa a torcer para que a doce heroína abandone o marido pelo amante. Afinal, é no adultério que ela encontra respeito e afeto. Pronto: estamos frente a frente com um fenômeno presente em dez entre cada dez novelas de TV: o marido opressor versus o amante sensacional. Por quem você torce?

Garçonete 2Eis aí o perigo. É nessa disputa de valores que está um grande dilema para o cristão. A vontade que dá, sejamos francos, é dar uns sopapos nesse marido terrível e mandar ele passear. Mas temos que submeter nossa vontade à vontade de Deus. E ela consiste em que os casamentos destroçados sejam renovados, que as relações desgastadas sejam reconstruídas e que os esposos tirânicos se transformem em homens conscientes e piedosos. Nosso Deus não é um Deus de soluções fáceis: é um Deus de soluções certas.

O problema retratado em ”Garçonete” é real e afeta milhões de lares em todo o mundo. Afeta pessoas que amamos. E quando elas vierem a nós em busca de suporte, que conselho daremos? Que postura adotaremos? Este é um bom momento para refletir sobre isso.

Garçonete 4Artisticamente, o filme conta com bons atores e é bem construído. Pelo menos até dez minutos antes do fim. O problema é que todos os complicados problemas dos personagens se resolvem como num passe de mágica. Não há conseqüências. É algo totalmente distante da realidade, pois no mundo de verdade adultérios provocam feridas profundas e maus relacionamentos destroem casamentos. Em ”Garçonete” não. Abracadabra e pronto: tudo se resolve.

Existem muitos corações feridos pelo mundo, que podem se iludir ou, no mínimo, serem influenciados por esse roteiro irresponsável. Na vida real não há mágica. A solução do problema de maridos abusivos e lares destruídos passa por muito diálogo, muita humildade, reconhecimento de erros e renúncia. E pelo relacionamento com um carpinteiro que nasceu dois mil anos atrás e que hoje gosta não mais de consertar móveis, mas vidas humanas.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: razoável

[veja o trailer]

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