Exuberante Deserto * Crítica

19 10 2007

Exuberante deserto cartaz Sozinhos na multidão

Poucas tentativas de desenvolver vida em comunidade foram tão bem-sucedidas na história da humanidade como os kibutzim israelenses. Há décadas, essas fazendas comunais, onde tudo é de todos, vêm sendo a maior expressão de coletividade no mundo. Paradoxalmente, em “Exuberante deserto” os kibutzim são utilizados para mostrar como é possível sentir-se absolutamente só no meio da multidão.

Exuberante deserto 2O menino Dvir e sua mãe, Miri, vivem numa comunidade numerosa, mas experimentam uma solidão angustiante. Eles são arquétipos de uma geração de pessoas de diferentes culturas forçadas a conviver diariamente com o vazio em suas almas. O deserto do título do filme não se refere às amplas regiões desertificadas de Israel, mas às vastidões interiores de cada um de nós, em busca constante e desesperada por algo que as preencha. E o mundo tem buscado esse preenchimento no prazer inconseqüente, nas drogas e nos antidepressivos ou, simplesmente, num tipo de amor incorreto. Mas a verdade é que esse vazio só pode ser preenchido plenamente e de forma satisfatória por um certo alguém: Jesus Cristo. E compete a cada um de nós levar o conhecimento desse amor real, que torna vidas ocas em vidas plenas, a todos aqueles que não o conhecem – pessoas como Dvir e Miri, que acabam tomando atitudes drásticas para escapar da solidão dolorosa em que vivem.

Infelizmente, em “Exuberante deserto” há cenas com pessoas casadas em práticas sexuais adúlteras e até uma seqüência de zoofilia. Isso mesmo, sexo com animais (no caso, uma vaca). Mas, no contexto da história, essas ocorrências sexuais são utilizadas para amplificar o isolamento dos personagens. Por isso, a recomendação fica para que apenas se evite levar menores de idade ao cinema.

Exuberante deserto 3De alcance universal, o tema tocou os jurados do Festival de Berlim, onde levou o Urso de Cristal; e do Sundance Festival, onde recebeu o Prêmio do Júri. Por sua capacidade de dissecar o espírito humano com sutileza, é bom que fique claro: merecidamente.


Maurício Zágari Tupinambá

Equipe CINEGOSPEL

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