V de Virtude * Artigo

12 11 2007

V de vingança V de Virtude

“V de Vingança”, o último filme dos irmãos Wachovski, bem poderia ser o título da maioria das produções cinematográficas hollywodianas. Basta dar uma lembradinha e, sem muito esforço, encontraríamos toneladas de filmes que têm por temática principal ou parte do seu enredo a vingança: um bonzinho que castiga os que fizeram o mal com suas própias forças. De filmes explicitamente vingativos, como “Os Imperdoáveis” de Clint Eastwood, “RápidaDirty Harry e Mortal” com Sharon Stone, “Gladiador”, com Russell Crowe, ou todos os filmes de “machões” tipo Charles Bronson, Dirty Harry, Van Damme ou Steven Seagal, até situações mais “implícitas” (como quando a diretora do jardim de infancia onde Schwarzenegger é o “Tira no Jardim de Infância” lhe pergunta ‘Como se sentiu quando deu um soco naquele %&*@#?’), a verdade é que Hollywood sempre, sempre, sempre (ou seria conveniente dizer “quase sempre” para ser politicamente correto ou respeitar as honrosas exceções que confirmam a regra?) nos apresenta a vingança como algo positivo, uma qualidade dos heróis, algo digno de aplauso, uma virtude.

 

É compreensível. Deus nos criou com um legítimo sentimento de vingança, uma sede de justiça que nasce espontâneamente em nosso interior. Ao longo da Palavra encontramos umCharles Bronsona série de manifestações lícitas em boca de profetas e salmistas clamando por vingança (ex: Dt. 32:43, Sl 79:10, Jr 11:20) O Salmo 58:10 diz: “O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio.” Quem produz cinema sabe que, quando o que aparece na tela estimula nossos instintos naturais, isso dá dinheiro: sexo, violência, inimizades … e vingança. Pare para pensar: nossos heróis, os mocinhos do cinema, são gente eticamente irrepreensível ou são… vingadores? Examine o seu coração: o que você sentiu cada vez que um mocinho arrebentava um bandido para “fazer justiça”, casar com a mocinha e ter um final feliz?

 

O problema para o cristão aparece quando a Bíblia vai mais além e diz: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.” (Rm 12:19) Ou seja: nossa sede de vingança nasce de um sentimento de justiça divino que está em nós a partir do momento em que Deus escreveu a Lei em nossos corações (Rm 2:15), mas não devemos vingar-nos nós mesmos, mas sim deixar aGladiadoro único que pode ser nosso juiz e vingador que atue por nós. É o que diz o profeta Isaías em Is 35:4 e 63:4. É o clamor dos salmos 94:1 e 18:10. É o que diz claramente Deuteronômio 32:35-43. E mais: Em Isaías 61:2 a Palavra profética do Senhor diz que a Salvação em Cristo e o Julgamento futuro das naçoes será um “ano aceitável”, mas também um “dia de vingança do nosso Deus”. Por isso Jesus ensinou que devemos amar os nossos inimigos, abençoar os que nos amaldiçoam e dar a outra face: porque não é da nossa competência julgar, castigar, executar sentenças ou vingar-se: isso compete a Deus. Nossa sede de justiça e vingança é lícita: mas não devemos dar lugar ao rancor ou à ira, e sim entregá-la nas mãos de Deus, esperando em fé que Ele nos vingará. O máximo que podemos fazer, sem querer ser muito sarcástico, é amontoar brasas de fogo sobre a cabeça deles… (Rm 12:20).

 

SevenE nós, cristãos, de vez em quando nos vemos como Brad Pitt e seu dilema no final de “Seven”: ante a escolha emocional e a racional, que fazer? Dar lugar à nossa ira e realizar nossa sede de justiça por meio de nosso alter ego cinematográfico ou não aceitá-lo em nosso coração, recriminando sua atitude vingativa e deixando de vê-lo como um herói? Bom, creio que biblicamente a segunda opção é a válida, mas claro: é bem provável que isso estrague o nosso prazer de assistir a muitos filmes, pois – evidentemente – nossos mocinhos virariam bandidos também.

Jesus Justiça NossaNo entanto, creio na Palavra que diz que sobre toda coisa a guardar, devemos guardar nosso coração e os sentimentos que alimentamos ali. E, sinceramente, creio que desfrutar quando assistimos a um ser humano que faz vingança com suas próprias mãos é tão pecaminoso como desfrutar quando assistimos a cenas de pancadaria ou erotismo. É deixar dar vazão aos nossos instintos de homem natural sem passar pelo filtro da Palavra de Deus ou do Espírito Santo, que já nos fez homens espirtuais, novas criaturas. Devemos identificar-nos com nosso verdadeiro super-herói, Jesus Cristo, e com o Seu senso de justiça. Só a Ele seja a glória, a honra … e também a execução de nossa vingança.

Presb�tero Cláudio Tupinambá
Presbítero
Cláudio Tupinambá
Ministro de louvor da Igreja Jesús Vive
Fuenlabrada (Espanha)

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13 04 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

[…] V de Virtude “Pare para pensar: nossos heróis, os mocinhos do cinema, são gente eticamente irrepreensível ou são… vingadores? Examine o seu coração: o que você sentiu cada vez que um mocinho arrebentava um bandido para “fazer justiça”, casar com a mocinha e ter um final feliz?”. leia mais. […]

19 06 2008
2008 Junho 16 « * * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

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