Angel-a * Crítica

22 11 2007

Angel-a 1 Anjo do bem ou do mal?

Esqueça a Bíblia. Em “Angel-a”, o cineasta Luc Besson constrói a figura de um anjo pós-moderno que nada tem a ver com as informações bíblicas sobre os seres angelicais. Angela não foi criada por Deus como um espírito, é a alma de uma pessoa morta. Usa um micro vestido sexy. É sensual. Beija na boca. Fala palavrão. Faz sexo por dinheiro. Fuma. Espanca seus inimigos. E – acredite – sua missão é ajudar um homem desesperado a encontrar o equilíbrio e dar a volta por cima.

Tudo começa quando o árabe André se vê devendo muito dinheiro a gângsters da pesada. Ameaçado de morte, ele chega ao fundo do poço. Sua única opção, pensa, pode ser se jogar de uma ponte de Paris e dar cabo de sua vida. Na hora H, ele olha para o céu e exclama: ”Deus! Por que me abandonaria? E por que nunca me responde?”. É quando Angela aparece.

Angel-a 2Esse anjo na verdade é um paradoxo. Por um lado, ajuda André a recuperar a auto-estima e o amor-próprio. ”É o interior que conta, não o exterior”, advoga Angela. E também o está constantemente incentivando a falar a verdade. Por outro lado, seu padrão de santidade é lamentável. Fuma um cigarro após o outro, segundo ela “porque onde eu moro fumar é proibido, então estou recuperando o tempo perdido”. Veste-se com roupas de prostituta e seduz mais de 35 homens ao longo do filme – em troca de dinheiro. Ah, sim, ela também os rouba e espanca. E, de quebra, dança numa boate de strip-tease.

Não fosse pouco, as conversas de Angela e André produzem pérolas, como a afirmação dela: ”o Céu não é nada especial, é bem rotineiro”. Em outro momento, eles deixam transparecer que os anjos seriam seres oniscientes: ”Você vê tudo e sabe o futuro”, afirma o mortal. Mas o diálogo mais incômodo é quando, em meio a uma discussão, Angela exclama ”meu Deus!” e André se irrita: ”Deixe Deus fora disso uma vez!”.

De todas as idéias vendidas pelo filme, causa muita estranheza a de que os anjos são pessoas que morreram no passado e que agora recebem a missão de ajudar os vivos. E, quando viram seres angelicais, esses fantasmas perdem a memória sobre quem eram em vida. Weird.

Angel-a 3Num passeio em preto e branco por pontos turísticos de Paris, “Angel-a” começa bem e acaba mal. Apesar de partir da premissa manjada do anjo politicamente incorreto (como em “Michael – Anjo e sedutor”), parece promissor em sua bem construída primeira metade. Mas do meio para o fim derrapa na filosofia barata. Nem os bons efeitos especiais ou a excelente atuação de Jamel Debbouze (André) contêm os bocejos provocados pelas lições ensinadas por Angela, que estão mais para manual de auto-ajuda do que para sabedoria celestial.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

 

Cotação: BomCotação: Bom

[Veja o trailer]

Estréia prevista no Brasil: 23/11/2007

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7 12 2007



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