Desejo e reparação * Crítica

10 01 2008

Desejo e Reparação Grande filme, mas…

Desejo e reparação 3
Na Inglaterra de 1935, um dia quente de verão vai mudar a vida de três pessoas. Cecilia (Keira Knightley) tem momentos de tensão sexual com o jovem Robbie (James McAvoy), que culminam com o envio de uma carta erótica e um encontro íntimo na biblioteca da mansão onde ela vive. Só que entre eles está Briony (Sairse Ronan), irmã mais nova de Cecilia, que tem uma queda por Robbie. Movida por ciúmes e por uma imaginação que voa solta, ela acaba acusando o rapaz injustamente de estupro. Ele é preso. Cinco anos se passam e a Segunda Guerra Mundial está em curso. Robbie luta na França e as irmãs, afastadas geograficamente e emocionalmente, atuam como enfermeiras no esforço de guerra. Briony, agora uma mulher consciente, quer reparar o erro do passado. Será que ainda dá tempo?
Desejo e reparação 2

Para se analisar “Desejo e reparação” é preciso ver o filme sob dois prismas. Por um lado, pelo conteúdo e pelas lições que pode ensinar. Como história, é primoroso. Mostra as conseqüências dolorosas que uma mentira pode provocar. Uma simples inverdade dita por uma criança inconseqüente leva um ser humano a perder sua liberdade, a ter de enfrentar os horrores da guerra e, talvez, muito mais do que isso. O longa-metragem apresenta ainda a importância de se reparar os erros o mais rápido possível, de não deixar o Sol se pôr sobre a sua ira. Amanhã pode ser tarde demais. O título original do filme, ”Atonement” (em português, literalmente ”expiação”), usa o termo bíblico para mostrar a urgência de se reparar os deslizes feitos pelo caminho. E, em última análise, como mostra a cena final, de buscar a expiação dos pecados cometidos. Caso contrário, eles nos assombrarão com suas terríveis conseqüências. Às vezes, pela vida inteira. Provavelmente, pela eternidade.

Evidentemente, por não ser uma produção com conotação religiosa, Briony não busca expiar seus pecados junto ao Cordeiro de Deus, que nos purifica das nossas transgressões. Ela tenta acertar as coisas por seus próprios méritos. O que, do ponto de vista secular, é louvável, mas deixa uma lacuna: onde está o perdão do Altíssimo? Como desprezar a mão estendida de quem pode reparar tudo? Nesse sentido, o filme comete uma falha grande, do ponto de vista bíblico.

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Por outro lado, “Desejo e reparação” tem cenas fortes, o que o tornam desaconselhável para menores de idade e pessoas de estômago sensível. A forma como soldados feridos nas batalhas são apresentados abusa do realismo, sem deixar nada a dever a aulas de anatomia. Em dado momento, vemos um grupo de crianças massacradas, uma imagem extremamente forte. A sexualidade também é explicitada sem economias. A cena da biblioteca parece ter sido tirada de programas exibidos de madrugada nos canais de TV a cabo. Desnecessário.

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O roteiro apresenta de forma muito bem amarrada a trama, sem folgas ou exageros. O lirismo presente no livro em que o longa-metragem é baseado foi muito bem traduzido em imagens, enaltecidas por uma fotografia suntuosa. As atuações são perfeitas: difícil dizer que ator está melhor. Na verdade, “Desejo e reparação” é o típico filme de Oscar. Como cinema, é ótimo. Tinha tudo para ser um filme com uma grande mensagem, recomendável para todos. Mas o realismo escolhido pelo diretor Joe Wright (de “Orgulho e preconceito”) para contar a história o torna limitado do ponto de vista cristão. Uma opção é ler o livro, que transmite a mensagem sem ferir sensibilidades.

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10 01 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

[…] Desejo e reparação […]




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