O Gângster * Crítica

23 01 2008

O Gângster Poster Isaías falou, Hollywood comprovou

”Não há paz para os ímpios, diz o Senhor”. O versículo do livro do profeta Isaías, capítulo 48, versículo 22, está escrito na margem do roteiro de ”O Gângster” que Denzel Washington usou para decorar o texto e compor seu personagem. O astro evangélico fez questão de anotar a passagem bíblica no script para lembrar-se da jornada e da busca pela redenção de Frank Lucas, o maior traficante de heroína dos Estados Unidos nos anos 70 – cuja história chega às telas pelas mãos de Ridley Scott (o mesmo diretor de “Gladiador”).

No início, Denzel não queria aceitar o papel de Lucas, pois não desejava interpretar um personagem que chegou ao poder às custas de muito derramamento de sangue e violência. Mas, após bastante insistência dos produtores, o ator cedeu, pelo fato de que o filme não glorifica o traficante.

O Gângster 1A jornada de Lucas é, guardadas as devidas proporções, semelhante à da esmagadora maioria dos traficantes brasileiros: menino pobre, integrante das minorias raciais, envolve-se no crime organizado e galga, ao preço de muitas mortes, a hierarquia da organização. Com o tempo, chega ao topo, vive uma vida de riqueza por um certo período e, no final… bem, não quero estragar a surpresa. Quem assistiu a ”Tropa de Elite” ou já ouviu pedidos de propina após ser parado em alguma blitz vai enxergar um paralelo claro entre a ampla facção podre da polícia brasileira e os oficiais corruptos retratados no filme. Russell Crowe é a exceção. Ele dá vida a Richie Roberts, um dos poucos policiais da época que não se corromperam, o que o faz ser hostilizado por seus colegas mas que acaba lhe dando a oportunidade de fazer uma grande faxina dentro das delegacias – ah, se tivéssemos um como ele no Brasil…

O Gângster 2Apesar de se passar quase 40 anos atrás numa cidade distante das nossas, ”O Gângster” tem muito a nos ensinar. Porém, infelizmente, é um filme extremamente violento. Logo na primeira cena, um homem é encharcado de gasolina e incendiado, pouco antes de ser fuzilado por um impassível Denzel Washngton. Há cenas de assassinatos a queima-roupa e a sangue frio, mortes brutais e violência desmedida. Em certo momento, Lucas pega o próprio irmão e dá tantas pancadas com a cabeça dele em um carro que chega a quebrar uma das janelas. Também há cenas de sexo e nudez frontal gratuitas, que em nada acrescentam à história. A Academia de Cinema de Hollywood não deu ao longa-metragem o reconhecimento que seus produtores esperavam: ele concorre ao Oscar apenas nas categorias filme, roteiro original, música, fotografia e edição.

O Gângster 3Se tem algo que ”O Gângster” deixa claro é que o caminho dos usuários de drogas é sempre ladeira abaixo. E que o crime não compensa. Isso se vê não só pelo destino sombrio dos bandidos (sejam policiais ou criminosos), mas pelos poucos momentos do filme em que Denzel abre um sorriso autêntico e alegre. Prova de que, por mais bem-sucedido financeiramente que fosse, o traficante não conseguiu viver em paz. Como bem profetizou Isaías.

Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: BomCotação: Bom

[Veja o trailer]

 

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23 01 2008



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