Onde os fracos não têm vez * Crítica

29 01 2008

Onde os fracos não têm vez 1 Parou no meio do caminho mas levou o Oscar

Cheguei cheio de expectativas à sede da Paramount para assistir à exibição para a imprensa de ”Onde os fracos não têm vez”. Há alguns meses vinha lendo sobre o longaOscar-metragem que, afinal, tinha recebido oito indicações ao Oscar e depois viria a ganhar estatuetas importantes, entre elas as de melhor filme e melhor diretor (foto). Logo na entrada, recebi o press release, texto promocional que os estúdios entregam aos críticos na época do lançamento. Meus olhos foram pegos de imediato pela frase: ”O filme aborda temas tão antigos como a própria Bíblia”. Balancei a cabeça em sinal de aprovação. ”Uau, deve ser uma produção bem profunda”, pensei, já antevendo um mOnde os fracos não têm vez 5ergulho cinematográfico na alma humana. Mas então o filme começou e, a cada nova cena, uma coisa ficava clara para mim: o mergulho não era exatamente na alma humana, mas no lado sombrio, demoníaco e maquiavélico da alma humana. O filme poderia muito bem se chamar ”Onde os santos, os bons, os éticos e os piedosos não têm vez”.
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Onde os fracos não têm vez 2Tudo começa quando Llewelyn Moss (Josh Brolin), um soldador honesto do Texas, encontra no meio do deserto dois milhões de dólares pertencentes a traficantes de heroína. Nessa hora, ele simboliza o homem que tem diante de si uma escolha: fazer o que é certo ou deixar sua pecaminosidade falar mais alto. Ele cede à tentação, se apossa do dinheiro sujo e, a partir daí, põe a si mesmo e a sua família em perigo: passam a persegui-lo bandidos mexicanos, os gângsters donos do dinheiro, um assassino psicopata (interpretado por Javier Bardem, indicado ao Oscar de ator coadjuvante) e a polícia, na pele do xerife Bell (Tommy Lee Jones). Prova que a cada decisão devemos tomar sempre o caminho certo, sem negociar o inegociável: nosso caráter.

Que ninguém espere deste longa-metragem um daqueles filmes óbvios em que os mocinhos se dão bem e os maus terminam mal. Ele reflete bem nossa vida nesta terra, em que o Sol nasce sobre justos e injustos. Nesta produção, como no mundo real, nem sempre a justiça prevalece: o homem que pára na estrada para ajudar o enguiçado ou o bom samaritano que volta para dar água ao moribundo podem acabar se dando mal.

Onde os fracos não têm vez 3Neste sentido, ”Onde os fracos não têm vez” advoga uma desesperança profunda no gênero humano. Somos pecadores, é verdade. A maldade que habita nos corações de muitos choca até os mais durões. Em sua primeira fala, o xerife Bell (foto) descreve seu espanto com a depravação humana, inexplicável para o sensato. Homens que matam por matar. Homens maus. Homens segundo o espírito deste mundo. Egoístas. Materialistas. Ímpios. Perversos. Provas vivas da Queda. Para os quais sem Deus não há esperança.

No final do filme, o xerife afirma que, no passado, imaginava que neste momento de sua vida estaria mais próximo de Deus do que de fato estava. E abaixa a cabeça, entristecido. Infeliz com seu afastamento do divino. Pois, quanto mais ele vê as atrocidades que ocorrem no dia-a-dia, mais longe de Deus ele fica. É interessante refletir sobre isso: quanto mais o mal entra, menos espaço sobra para Deus nos corações humanos.

Onde os fracos não têm vez 4”Onde os fracos não têm vez” mostra a violência explicitamente. Tiros à queima-roupa, sangue voando, cabeças explodindo, pessoas metralhadas. Cadáveres em close. Não se economizou dinheiro com sangue. Pareço exagerado? Com a palavra, então, o protagonista, Josh Brolin: ”É uma das histórias mais violentas que já vi”. O roteirista e diretor Joel Coen vai além: ”Este é, provavelmente, o filme mais violento que já fizemos”. Preciso dizer algo mais?

Onde os fracos não têm vez 6Saí da sede da Paramount tentando definir este filme. É realista. É tenso. É pessimista. Em termos da trama, é totalmente bíblico. Mostra como o Homem é depravado, mau e ambicioso. Mostra a maldade, a ganância e a escuridão dos nossos corações. Mas o problema é que a história pára no meio do caminho. Não dá esperança. Não mostra a porta de saída. Não mostra o Caminho. Nem a Verdade. Nem a Vida. E, assim, é um filme incompleto. A vontade que dá é sair do cinema e correr para ler a Bíblia, para, assim, se lembrar de onde está a solução para todo o mal que há no mundo. Mas o longa-metragem levou o Oscar de melhor filme. Pensando bem, é compreensível. Afinal, os membros da Academia de Cinema de Hollywood não são obrigados a votar em seus prediletos pensando naqueles que mostram uma saída para o lado sombrio de nossa alma. E ”Onde os fracos não têm vez” certamente não mostra.

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29 01 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

[…] Onde os fracos não têm vez […]




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