Sangue negro * Crítica

13 02 2008

Sangue Negro Poster O gosto que fica

Vai ser difícil para o público cristão digerir ”Sangue negro”. Ao mesmo tempo que o filme tem qualidades artísticas inegáveis, como a magnífica atuação de Daniel Day-Lewis, apresenta um retrato nada elogioso do cristianismo, em especial dos pastores pentecostais. Historicamente liberal no que tange a assuntos religiosos, a Academia de Cinema de Hollywood deu ao longa-metragem oito indicações ao Oscar, incluindo a de melhor filme.

Sangue Negro 2”Sangue negro” é a adaptação do diretor Paul Thomas Anderson (de ”Magnólia” e ”Boogie Nights”) do livro ”Oil!”, de Upton Sinclair. Daniel Day-Lewis interpreta Daniel Plainview, um homem anti-religioso e ganancioso. A trama começa quando ele compra terras ricas em petróleo por um preço irrisório de Abel Sunday, pai do pregador pentecostal Eli Sunday (Paul Dano). A partir daí, Eli e Daniel entram num conflito que revela o lado sombrio dos dois homens. Na inauguração do primeiro poço instalado em sua recém-comprada propriedade, Daniel cria uma série de situações que envergonham o pastor. A disputa entre eles chega às raias da agressão, o que deixa Eli ferido fisicamente e espiritualmente.
.
Sangue Negro 1O personagem de Day-Lewis é um exemplo radical do monstro que pode se tornar o homem que se deixa dominar pela ambição e pela ganância. Sua busca desmedida por riquezas materiais põe o lado emocional em segundo plano e o espiritual em milésimo. A cena em que Daniel é batizado – por puro interesse material, diga-se de passagem – chega a ser ofensiva para quem entende o valor do sacramento. O egocentrismo e a ganânca do personagem atingem tal magnitude que ele acaba afastando de si até seu próprio filho.

Saímos do cinema com uma dupla sensação. Por um lado, vemos a realidade dos homens cujos deuses são o dinheiro e a ânsia por poder. Por outro, nos sentimos espiritualmente agredidos pela forma como o cristianismo é retratado em “Sangue Negro”. Como um pouco de fermento leveda toda a massa, o gosto que permanece na boca é bem amargo.

Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista e professor de Teologia
Equipe CINEGOSPEL

 

Cotação
Anúncios

Ações

Information

2 responses

15 02 2008
18 02 2008



%d blogueiros gostam disto: