Jogos do Poder * Crítica

29 02 2008

Jogos do Poder E o pior é…

Tom Hanks, Julia Roberts, Philip Seymour Hoffman. Todos vencedores do Oscar, alguns dos salários mais altos de Hollywood. E, ainda assim, ”Jogos do Poder” não impressiona. O filme é um entretenimento fraco, mas funciona muito bem como um pseudodocumentário. O valor deste longa-metragem de 97 minutos é justamente mostrar os bastidores das articulações políticas e militares nos EUA.

Jogos do Poder 2Charles Wilson (Tom Hanks) é um congressista devasso que, por influência de uma de suas amantes, a milionária interpretada por Julia Roberts, consegue a liberação de 1 bilhão de dólares do governo estadounidense para comprar armas para o povo do Afeganistão na época da Guerra Fria. O objetivo é fazer que os afegãos, com a orientação da CIA (a agência de espionagem dos EUA) expulsem o exército da União Soviética de seu país. Nesse processo, Wilson conta com a ajuda do espião vivido por Hoffman.

Em termos históricos, o filme é bem realista e fidedigno. Mostra como funciona a máquina de manipulação dos EUA, que há décadas vem financiando golpes militares por todo o mundo (inclusive no Brasil de 1964). Nesse sentido, a produção é bastante didática. Por outro lado, faz isso sem nenhum brilhantismo. Conta a história e só.

No processo, o longa-metragem comete alguns deslizes do ponto de vista da moral cristã. Para começar, expõe a nudez de uma forma totalmente desnecessária (inclusive o traseiro nu de Tom Hanks – poderíamos dormir sem essa!). O consumo de álcool e cocaína é apresentado como algo totalmente natural; divertido e engraçado até.

Jogos do Poder 3Mas, de todos os poréns, o mais incômodo para o cristão é a forma como a personagem de Julia Roberts é retratada: como uma evangélica fornicária e manipuladora, que confessa Jesus como seu Salvador mas usa o discurso religioso para instigar a Guerra Fria. Se por um lado é incômodo ver que uma cristã é retratada deste modo, por outro… é mais incômodo ainda saber que há muitos como ela em nossas igrejas. O que nos relembra que somos reles pecadores. Quantos como ela nós não conhecemos?! Pessoas que se apresentam como santas mas são pagãs entre quatro paredes.

Assim, embora ”Jogos do Poder” não seja lá grande coisa como obra cinematográfica, acaba provocando uma reflexão sobre a hipocrisia: um país que posa de neutro mas que por baixo dos panos financia a guerra, um deputado que posa de ético mas que por baixo dos panos é um devasso e uma mulher que posa de cristã mas que por baixo dos panos é pecadora. E o pior é saber que a história do filme é real.

Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista e professor de Teologia
Equipe CINEGOSPEL

Cotação: BomCotação: Bom

[veja o trailer]

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29 02 2008



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