O Banheiro do Papa * Crítica

4 03 2008

O Banheiro do Papa Poster O alerta do banheiro

“O Banheiro do Papa” é mais um representante da excelente safra do cinema latino-americano. Depois da Argentina mostrar ao mundo sua sensibilidade em filmes como “O Filho da Noiva” e “Clube da Lua”, agora o Uruguai comprova que também faz parte dessa geração que sabe como fazer a sétima arte.

O Banheiro do Papa 1O longa-metragem vencedor de seis prêmios no festival de Gramado (incluindo o de Melhor Filme do júri popular) se passa em Melo, uma cidade de 51 mil habitantes na fronteira com o Brasil que se prepara para a chegada do Papa João Paulo II em 1988. A vinda do líder católico romano gera um rebuliço na cidade, que enxerga naquele acontecimento a oportunidade de obter algum dinheiro a mais. Com tantos habitantes montando barracas de salgados, salsichas e afins, Beto, um sacoleiro da rota Uruguai-Brasil tem uma idéia diferente do resto da população. Para lucrar, ele decide montar um banheiro para atender aos visitantes.

Apesar do título, o filme não é sobre catolicismo ou religião. A chegada do “Sumo Pontífice” é apenas o pano de fundo para mostrar os conflitos dos personagens. Corrupção e esquemas, desagregação familiar, manipulação da mídia e pobreza estão presentes na trama que foi baseada em acontecimentos reais.

O Banheiro do Papa 2O “Banheiro do Papa” é uma denúncia contra valores e realidades presentes no Uruguai e em outros países, inclusive alguns geograficamente um pouco acima. Apesar da dura vida da população, a honestidade, a singeleza nas relações e o trabalho encontram lugar em personagens que vivem em um tempo de tanta injustiça e dor. Às vezes a lição é aprendida a duras penas, mas no fim ela prevalece como virtude maior.

Como Igreja de Cristo, precisamos estar sempre atentos a esses gritos de alerta sociais. Num mundo dominado pela exploração e indiferença, devemos reavaliar nosso papel de sermos luz em um tempo de trevas. Onde os cristãos chegam deve haver transformação do indivíduo e impacto social, de outra forma estaremos sendo infiéis ao Senhor que nos chamou a acudir os caídos na beira estrada (Lucas 10.25-37).

O Banheiro do Papa 3Em 1974, na Conferência Internacional de Evangelização em Lausanne, essa responsabilidade foi reafirmada. Lá foi feita a seguinte declaração: “A proclamação do evangelho, a política e a participação social são obrigações de todos os cristãos. O bem-estar social é ao mesmo tempo o resultado de compartilhar o Evangelho e a ponte para compartilhar o Evangelho, de modo que os dois são companheiros. O Evangelho é a raiz, assim, compartilhar o Evangelho e a responsabilidade social são ambos seus frutos”

Que os “Banheiros do Papa” nos façam sair da bolha de conformismo e alienação e nos levem a sair pelas cidades, como Jesus, curando, ensinando e levando o amor a um mundo iludido e cheio de dores.

Pr. Felipe Telles - Igreja Presbiteriana da Gavea
Pr. Felipe Telles
Psicólogo e Pastor Auxiliar
Igreja Presbiteriana da Gávea (RJ)

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4 03 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

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