A Família Savage * Crítica

21 03 2008

A Fam�lia Savage Não é mais um moralismo americano

Os dramas familiares têm oscilado bastante nas mãos de Hollywood. Ou caem na exploração do melodrama adocicado e lacrimejante ou naquela chatice intelectual que, convenhamos, até tem conteúdo, mas é ruim de ver. Porém, de vez em quando os realizadores acertam fazendo filmes profundos, reflexivos e até mesmo divertidos (vejam só!). Lá no fundo do baú achamos, por exemplo, “Gente como a gente” (EUA – 1980), o premiado longa dirigido por Robert Redford, que soube temperar bem com os ingredientes necessários para um bom filme sobre família.

savages.jpgHá outros representantes com esse bom gosto. “A Família Savage” (“The Savages”) é um deles. Não chega ao brilhantismo do filme de Redford, mas com duas atuações hipnóticas de Phillip Seymour Hoffman (indicado ao Globo de Ouro) e Laura Linney (indicada ao Oscar) o filme ironiza, desmascara a hipocrisia, comove e ainda consegue divertir.

O longa-metragem fala sobre os irmãos Savages (Hoffman e Linney) que, separados geograficamente, têm de se unir para cuidar do pai que sofre de demência. A busca pela internação, os cuidados com um pai distante e a aproximação de laços de sangue com suas fragilidades, loucuras e compaixão rendem um filme que não merecia sair de mãos vazias da festa do Oscar.

savages-1.jpgFalar de família é falar de um assunto que é basilar em nossa espiritualidade cristã. É nas nossas relações mais próximas que mostramos como a marca do pecado está impressa em nós. Daí vem a famosa máxima que “família só é bonita em álbum de fotografia“. Por que isso? É que nesse ambiente seguro mostramos nossa face mais real. Nossas lutas mesquinhas por poder, nossa necessidade de estar certo, nossa impaciência e falta de compaixão emergem de pessoas que na aparência e em outras relações se mostram tão bondosas.

savages-2.jpgClaro, ninguém é perfeito! Mas não podemos ler o parágrafo anterior com a famosa “síndrome de Gabriela”: Eu nasci assim, vou morrer assim. Cristo veio para transformar essa realidade dos nossos relacionamentos e isso se mostra de forma concreta. Afinal, amar é ação. É quando um ente querido está enfermo, quando alguém está em dificuldades emocionais, financeiras ou de qualquer outra natureza que o nosso coração transformado deve se fazer presente. Os Savages mostram que esse valor é possível. Sem hipocrisia e com muita propriedade.

savages-3.jpgÉ quando temos relações conturbadas, como mostra o filme, que Deus nos presenteia com a oportunidade da mudança. É no meio da crise que a aproximação se chega até nós como possibilidade. Veja Esaú e Jacó. Separados pela discórdia, deixaram tudo para trás para viver, geograficamente distantes, mas com as almas juntas (Gênesis 33).

Em resumo, “A família Savage” não é mais um moralismo americano. Tamara Jenkins dirige um filme que retrata a humanidade de cada dia que existe em nossas famílias.

Pr. Felipe Telles - Igreja Presbiteriana da Gavea
Pr. Felipe Telles
Psicólogo e Pastor Auxiliar
Igreja Presbiteriana da Gávea (RJ)

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 ótimo

[veja o trailer]

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21 03 2008



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