Paixão proibida * Crítica

27 03 2008

silk-poster.jpg Descasquemos a poesia

Vamos deixar uma coisa bem clara: existe uma grande diferença entre algo ser belo e ter virtude. Explicando: um homem pode ser lindo como Tom Cruise e ser um assassino em série. Ou uma mulher ser estonteante e não ter nenhm caráter. Uma flor pode ser hipnoticamente bonita e expelir um veneno mortal. E por aí vai. “Paixão proibida” segue esta linha.

silk-4.jpgA idéia era ser um filme épico, com paisagens de cartão postal, arrebatador. E de fato ele é visualmente um espetáculo. No século 19, o comerciante Herve Joncour (Michael Pitt) deixa em casa a esposa (Keira Knightley) e parte numa viagem rumo ao Japão, para contrabandear seda. Lá ele conhece um barão local, que tem uma atraente e sedutora concubina. Pronto, Herve e a japonesinha (foto) iniciam um relacionamento amoroso-sexual por baixo dos panos que vai abalar a estrutura de vida de ambos e dos que os cercam.

Voltamos, então, à diferença entre a beleza e a virtude: a história conduz você de tal forma que, quando se dá conta, está torcendo para os dois amantes ficarem juntos. Só que ele é casado!!!

silk-2.jpgAssim, “Paixão proibida” é exemplo de um fenômeno cada vez mais comum na nossa cultura: histórias, gostos, valores, expressões culturais, moral e tanto mais que é apresentado com uma irretocável beleza na fachada mas um conteúdo biblicamente reprovável. Uma linda casca com um miolo podre. Sepulcros caiados. Deste modo, o uso equivocado da sexualidade é apresentado como algo lindo, aberrações afetivas são exaltadas como novas formas de amar, doutrinas satânicas chegam à sociedade travestidas de ”esta é a minha verdade”. Nossa civilização está repleta de ideologias lobo em pele de ovelha.

Como obra cinematográfica, este é um longa-metragem desanimado, convencional, quase desinteressante. Mas é oferecido como uma linda história de amor, com visuais magníficos. Sem meias-palavras: é um filme chato. Lento e chato. Com cenas de nudez e duas situações de sexo.

silk-1.jpgTorçamos pela esposa. Em meio a todo o visual deslumbrante e a aura de romance entre o casal de adúlteros, é ela quem merece nossa solidariedade. Mesmo que não seja apresentada de forma tão glamourosa-sensual como sua rival nipônica. Descasquemos a poesia visual e retórica de “Paixão proibida” e veremos que o que sobra é um feio caso de adultério.

Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia
Equipe CINEGOSPEL

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27 03 2008



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