Imagens do além * Crítica

10 04 2008

Originalidade em falta

Nao da pra falar de “Imagens do Além” sem cair num questionamento lugar comum: o que aconteceu com a criatividade de Hollywood com os filmes de terror? A insistência por remakes de longas orientais (“O chamado”, “O grito” e “Visões”) ou de banalidades como “A Casa de cêra” demonstram que falta algo a mais na mente no cinema americano.

“Imagens do Além” é uma refilmagem do tailândes “Espíritos – A morte está ao seu lado”. Após um acidente onde uma pessoa é atropelada, o casal Ben (Joshua Jackson) e Jane (Richard Taylor) começa a ver imagens estranhas em fotos reveladas. Mais do que um erro mecânico da máquina, os borrões são um prenúncio de uma presença assustadora. A versão é muito semelhante ao original. Assisti-lo é ver uma reprise em língua inglesa de um filme que recentemente esteve presente em grande circuito. Sem o charme do longa tailandês que explorava melhor o binômio tensão/susto e o clima soturno e claustrofóbico dos lugares, Hollywood preferiu ficar com a beleza das louras, focando os espectadores em Rachel Taylor, que carrega o filme com suas madeixas.

O chamado “terror oriental” tem partido quase sempre de uma mesma premissa: um espírito com negócios mal-resolvidos atormenta aqueles que o humilharam quando era um ser vivo. Esse tipo de trama é interessante quando encarado como uma alegoria psicológica. Pessoas vivas ou mortas que não perdoamos ou pedimos perdão podem se tornar “fantasmas” na nossa existência. Não senhores, eles não vestem branco, carregam correntes e puxam o nosso lençol. Eles são apenas sentimentos de reparação e remorso que experimentamos com o sabor de um filme de terror.

Perdão é uma palavra difícil, mas uma atitude libertadora. Em uma de suas parábolas, Jesus nos ensinou: “Não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim, também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” Mateus 18.33-35. Ausência de perdão pode se tornar um carrasco para nós. Ficamos presos pelas amarras de um outro que mesmo ausente, se faz presente em nossas tormentas.

Quando Cristo nos diz que amar sempre é a melhor opção, não faz isso como tortura, mas como o único ato do ser humano viver livre das prisões que nossa alma nos impõe.

Pr. Felipe Telles - Igreja Presbiteriana da Gavea
Pr. Felipe Telles
Psicólogo e Pastor Auxiliar
Igreja Presbiteriana da Gávea (RJ)

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10 04 2008



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