Quebrando a banca * Crítica

15 04 2008

Os fins justificam os meios?

Todos nós torcemos pelo mocinho, para que ele se dê bem no final do filme. Duro é quando se dá bem à custa de muita trapaça, jogatina, mentira e dissimulação. Pois é exatamente isso o que acontece em ”Quebrando a banca”.

Ben Campbell (Jim Sturgess) é um aluno tímido e brilhante do M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology) que, precisando pagar pelos estudos, encontra a resposta nas cartas. Ele é recrutado para ingressar em um grupo com os alunos mais brilhantes da faculdade que seguem rumo a Las Vegas, todos os fins de semana, munidos de identidades falsas e habilidade para reverter as probabilidades do blackjack a seu favor. Sob a liderança de Micky Rosa (Kevin Spacey), professor de matemática nada ortodoxo e gênio de estatística, eles desvendam o código. Contando as cartas e utilizando um complexo sistema de sinais, a equipe consegue ganhar pesado nos cassinos. Seduzido pelo dinheiro, o estilo de vida de Las Vegas e por Jill Taylor (Kate Bosworth), sua sensual parceira de equipe, Ben começa a extrapolar os limites. Embora contar as cartas não seja ilegal, os riscos são altos e o desafio deixa de ser apenas manter os números certos, mas permanecer um passo à frente do leão de chácara do cassino: Cole Williams (Laurence Fishburne).

”Quebrando a banca” é um filme cativante, com uma narrativa que te mantém atento durante os 120 minutos de projeção. As atuações são ótimas, com destaque para Kate Bosworth (de ”Superman returns”) e o duas vezes premiado com um Oscar Kevin Spacey. A direção é muito bem feita, auxiliada por uma edição caprichada. Junte-se ao pacote uma trilha sonora redonda e o longa-metragem torna-se tecnicamente um primor. Pena que a mensagem do roteiro deixa muito a desejar.

O público torce por Ben. Torce para ele não ser pego, para ficar rico e poder pagar a faculdade, para alcançar seus objetivos. Afinal, ele é um bom rapaz. Só que mente, trapaceia, dá as costas para os amigos. É isso o que devemos valorizar? Os fins justificam os meios? Ben tem a chance de se redimir de suas falcatruas e fazer tudo de forma honesta e honrada. Mas ele só decide fazer isso quando se vê sem opções.

Todos nós torcemos pelo mocinho, para que ele se dê bem no final do filme. Duro é quando se dá bem à custa de muita trapaça, jogatina, mentira e dissimulação. Porque aí ele fica muito mais parecido com o vilão.

.

Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

CotaçãoCotação

.
.
.
.
Anúncios

Ações

Information

One response

15 04 2008



%d blogueiros gostam disto: