Uma chamada perdida * Crítica

15 04 2008

Risos em vez de sustos

Você recebe uma ligação no celular. Na tela aprece o seu próprio número. Ao ouvir, você descobre que o telefonema veio de dois dias no futuro e você testemunha os gritos da sua própria morte. O fenômeno se repete com diferentes pessoas, provocado por uma estranha força demoníaca/fantasmagórica. Eis aí a premissa básica de ”Uma chamada perdida”, a mais recente refilmagem de uma produção de terror sobrenatural japonesa.

O filme segue na esteira de ”O Grito” e ”O Chamado”: produções bem-sucedidas em terras nipônicas que ganharam versões hollywoodianas para faturar uns trocados em dólares. Só que cada novo filme ganha histórias mais absurdas e efeitos especiais mais cafonas. Desta vez, o espírito maligno faz suas travessuras mortais graças a uma relação entre o mundo espiritual e as ondas que transmitem os sinais dos celulares. O filme consiste de uma hora e meia de diálogos chatos e tentativas de sustos absolutamente previsíveis e clicherizadas.

Uma cena em especial pode ser considerada bastante ofensiva aos cristãos. Um show de televisão chamado “American miracles” (“Milagres estadunidenses”) transmite o que seria um exorcismo em uma igreja pentecostal. O apresentador explica que ”a energia espiritual é similar às ondas emitidas pelo microondas ou o telefone celular”. Em seguida, um homem – que não sabemos se é um sacerdote ou não – tenta expulsar o demônio de uma mulher e para isso invoca o nome de Jesus. Fica claro que a cena é montada para fazer piada com os televangelistas. E, de certo modo, com o cristianismo.

Embora não seja tão sangrento como muitos de seus similares, ”Uma chamada perdida” tem sua dose de sangueira: um homem é empalado, uma mulher é estrangulada, vemos diversas partes de corpos em decomposição, uma mãe queima sua filha com cigarros, uma menina vê seu pai se enforcar, uma garota é atropelada por um trem, um jovem é esfaqueado no olho e…peraí, o que foi que eu disse? Não é tão sangrento? Desculpem: este filme é MUITO sangrento.

Apesar de toda essa agressividade visual, a trama chega por vezes a ser patética e em mais de uma vez durante a exibição do filme para a imprensa o público caiu em risos. Em momentos sérios! Mal sinal.

E nunca é demais lembrar do que a Bíblia fala sobre demônios e fantasmas. Que nada tem a ver com o que é mostrado em ” ”Uma chamada perdida”.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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15 04 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

[…] Uma chamada perdida […]




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