É relevante analisar cinema pelo ponto de vista cristão? * Artigo

25 04 2008

É relevante? Ou é perda de tempo?

Algumas pessoas me perguntam qual é a importância de se criar um site sobre cInema do ponto de vista cristão. É relevante? É perda de tempo? Para responder isso, convido você a fazer uma viagem no tempo.

Na primeira metade do século 20, quando o cinema era uma arte nova, jovem, cheia de espinhas na cara, os governos do mundo todo descobriram o fascínio aue os filmes exerciam sobre as pessoas e começaram a usá-lo como poderosas ferramentas de propaganda e transmissão de suas ideologias. Os americanos passaram a exportar sua cultura e seu jeito de viver pelo cinema. Repare que hoje você usa camisetas em inglês, ouve músicas em inglês, assiste a filmes em inglês, veste calça jeans…sem que você perceba, a cultura americana invadiu a sua vida. Mas como? De repente você nunca pisou nos Estados Unidos! A resposta é: pelo cinema.

Quando Hitler quis divulgar suas loucas idéias nazistas de superioridade da raça ariana, o que ele fez? Contratou uma talentosa cineasta chamada Leni Riefenstahl para fazer filmes como “O triunfo da vontade”, que são primores da arte cinematográfica mas que servem principalmente para disseminar ideologias nefastas.

Sabe por que tantas pessoas fumam, achando que engolir fumaça é a coisa mais charmosa do mundo? Porque viram filmes onde astros sedutores fumavam. Exagero? Então fica aqui a sugestão: vá à locadora e assista ao filme “Obrigado por fumar”. Ele mostra com todas as cores como isso funciona.

E na época da Guerra Fria, para quem você torcia nos filmes? Para os soviéticos (que eram sempre os vilões) ou para Rocky, Rambo e outros truculentos heróis americanos? Repare que os super-heróis que você ama vestem roupas azuis e vermelhas, como o Homem-Aranha e o Super-Homem. Que, não por acaso, são as cores da bandeira americana. Coincidência?

A conclusão é: cinema influencia.

O poder de sedução daquelas figurinhas se mexendo nas telas é devastador. O poder de conquista do cinema é tremendo. Quando assistimos a um filme, estamos com nossa guarda baixa, ficamos abertos, desligamos o desconfiômetro e nos tornamos vítimas fáceis das mensagens que são transmitidas pelas películas. Transmitidas, aliás, com músicas tocantes e altas doses de emoção. E nós choramos, rimos, gritamos, nos assustamos…nos relacionamos com os filmes.

Cinema é a maior diversão, já dizia o antigo lema do grupo Severiano Ribeiro. Mas também é uma fortíssima arma de transmissão de filosofias, idéias e valores. Se a mocinha do filme engana os pais e mente para eles, a equação é clara: ”Quero ser como a mocinha. Ela é rebelde. Logo, não há problema se eu for rebelde”. O galã do filme faz sexo com diferentes mulheres. Adivinha que mensagem está sendo passada? E quando o herói tem que matar muitos bandidos para triunfar? A conta é simples: Morte = Vitória.

A resposta é clara. Sim, cinema é um assunto relevante. Muito relevante. Todos assistimos a filmes, das criancinhas aos anciãos. Todos estamos sob a influência das mensagens e filosofias, dos valores e conceitos que áudio e vídeo empurram por nosso cérebro adentro. E, logo, por nossos corações, mentes e almas.

Qual é a importância de se criar um site sobre cInema do ponto de vista cristão? Me responda você.

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Maur�cio Zágari Tupinambá - Jornalista e professor de TeologiaMaurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia


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Hannah Montana & Miley Cyrus – O Show: O melhor de dois mundos * Crítica

25 04 2008

Como algodão doce

Descobri quem era Hannah Montana quando meus dois sobrinhos pré-adolescentes, que moram na Espanha, vieram passar férias no Brasil. Na primeira vez que sentamos juntos para ver TV, comecei a zapear e, quando passei pelo Disney Channel, tanto Bruno quanto Nina gritaram em uníssono:

– Titio, titio!!! Deixa aí, é a Hannah Montana!!!

Passado o susto, fiquei a observar enquanto os dois mal piscavam, com os olhos vidrados na telinha. Naquele momento descobri que havia uma jovem atriz e cantora de 15 anos chamada Miley Cyrus, cuja personagem era uma febre mundial. Dá para entender por que “Hannah Montana & Miley Cyrus – O Show: O Melhor de Dois Mundos” está deixando a garotada em polvorosa. Mas é bom avisar aos incautos que este filme não é um filme: é o registro de uma turnê musical. Os fãs da adolescente têm a oportunidade de ver no cinema sua cantora, compositora e atriz favorita, Miley Cyrus, na turnê-concerto que teve seus ingressos esgotados.

Um grande trunfo do longa-metragem é o fato de ter sido rodado em 3D. Nos cinemas que têm equipamentos adequados para essa tecnologia, o show vira…um show! É possível captar a energia de uma apresentação ao vivo. Ver esta produção num cinema normal é como comer camarão ao catupiri sem sal nem tempero: mata-se a fome mas perde-se uma excelente oportunidade de saborear o que há de melhor. Além do show em si, o filme registra os bastidores, onde se pode ver, por exemplo, que Miles é acompanhada pelos pais durante toda a turnê. Ponto para ela, que parece ser um modelo positivo de comportamento – e esperamos que continue assim. Se não permanecer firme em suas atitudes, pode virar uma nova Britney Spears, que no início de carreira defendia a virgindade até o casamento mas que acabou demonstrando ações de uma louca, ao ponto de estar quase perdendo a guarda dos filhos.

A coreografia e o figurino da jovem artista são bem adolescentes, muito mais comportados do que as Madonnas, Britneys e Christina Aguilleras da vida. As letras das músicas são encorajamentos para que seus (suas) pequenos(as) fãs tenham confiança e segurança em quem elas são. É claro que se você é daqueles que acham que dançar é pecado tudo isso vai por água abaixo.

No geral, Miles e seu show são como algodão doce: colorido, divertido e bacaninha. Se você comer em excesso dessa gororoba sem nutrientes, porém, pode ficar desnutrido. Ou ter uma tremenda dor de barriga.

Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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Três vezes amor * Crítica

25 04 2008

Amor, amor, amor e sexo

Will Hayes está se divorciando de sua mulher. Após uma aula de educação sexual na escola, sua filha de dez anos, Maya, começa a questioná-lo sobre como era a vida dele antes do casamento, como seus pais se conheceram e se apaixonaram. Will acaba se recordando de muitas coisas, inclusive de outros relacionamentos do passado. Ele só não revela para Maya qual dos namoros que ele está relatando foi com sua mãe: cabe a ela – e ao público – descobrir.

“Três vezes amor” é um daqueles filminhos feitos para fazer rir e chorar, ou seja, é uma comedinha sentimentalóide. Daqui a vinte anos dificilmente vão se lembrar dele, exceto como ”aquele filme cuti-cuti que a Abigail Breslin fez quando ainda era criança…como é mesmo o nome?”. As atuações dela; de Ryan Reynolds, no papel de seu pai; e das atrizes que interpretam suas possíveis mães são bem consistentes, demonstrando um time sólido de atores.

Em seu conteúdo, a produção tem algumas características que a fazem ganhar pontos em nossa avaliação. É muito gratificante ver uma história em que pai e filha têm um diálogo tão aberto e franco. Nos dias de hoje, quando nossas crianças aprendem tudo – o que devem e o que não devem – sobre romance, namoro e sexo com coleguinhas bobocas ou, pior, com a TV, é fantástico encontrar um exemplo de filhas que buscam seus pais em busca de orientações sobre o tema. Além disso, divórcio é apresentado em “Três vezes amor” como aquilo que de fato é: uma decisão triste, que acaba machucando todos os envolvidos, em especial as crianças.

Por outro lado, é duro ver como nossa cultura aceita o sexo sem compromisso com uma naturalidade espantosa. Deixamos de ser sexualmente importantes e relevantes uns para os outros. Viramos brinquedos de criança: aqueles com que alguém se diverte um pouquinho, enjoa, depois descarta e vai brincar com outra coisa. Triste o ponto a que chegamos. Ainda bem que este filme mostra que o amor verdadeiro é algo muito especial. Mesmo que o sexo – aparentemente – não seja.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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