Três vezes amor * Crítica

25 04 2008

Amor, amor, amor e sexo

Will Hayes está se divorciando de sua mulher. Após uma aula de educação sexual na escola, sua filha de dez anos, Maya, começa a questioná-lo sobre como era a vida dele antes do casamento, como seus pais se conheceram e se apaixonaram. Will acaba se recordando de muitas coisas, inclusive de outros relacionamentos do passado. Ele só não revela para Maya qual dos namoros que ele está relatando foi com sua mãe: cabe a ela – e ao público – descobrir.

“Três vezes amor” é um daqueles filminhos feitos para fazer rir e chorar, ou seja, é uma comedinha sentimentalóide. Daqui a vinte anos dificilmente vão se lembrar dele, exceto como ”aquele filme cuti-cuti que a Abigail Breslin fez quando ainda era criança…como é mesmo o nome?”. As atuações dela; de Ryan Reynolds, no papel de seu pai; e das atrizes que interpretam suas possíveis mães são bem consistentes, demonstrando um time sólido de atores.

Em seu conteúdo, a produção tem algumas características que a fazem ganhar pontos em nossa avaliação. É muito gratificante ver uma história em que pai e filha têm um diálogo tão aberto e franco. Nos dias de hoje, quando nossas crianças aprendem tudo – o que devem e o que não devem – sobre romance, namoro e sexo com coleguinhas bobocas ou, pior, com a TV, é fantástico encontrar um exemplo de filhas que buscam seus pais em busca de orientações sobre o tema. Além disso, divórcio é apresentado em “Três vezes amor” como aquilo que de fato é: uma decisão triste, que acaba machucando todos os envolvidos, em especial as crianças.

Por outro lado, é duro ver como nossa cultura aceita o sexo sem compromisso com uma naturalidade espantosa. Deixamos de ser sexualmente importantes e relevantes uns para os outros. Viramos brinquedos de criança: aqueles com que alguém se diverte um pouquinho, enjoa, depois descarta e vai brincar com outra coisa. Triste o ponto a que chegamos. Ainda bem que este filme mostra que o amor verdadeiro é algo muito especial. Mesmo que o sexo – aparentemente – não seja.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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