Homem de Ferro * Crítica

29 04 2008

Um lugar mais honroso para um velho herói

Se você tem menos de 35 anos, esta crítica não terá o mesmo sabor nostálgico que terá para a turminha que nos anos 70 consumia os toscos programas de TV da época. Ah, os bons tempos do Capitão AZA na TV Tupi! Entre os desenhos que passavam estavam ”Hulk”, ”O poderoso Thor”, ”Capitão América”, ”O príncipe submarino” e…”O Homem de Ferro”. É sobre este último que vamos falar aqui. E é bom que falemos, pois esse pobre super-herói ficou relegado ao esquecimento por cerca de 30 anos. Ele sempre lutava contra vilões enquanto fazia de tudo para que uma luz em seu peito não apagasse – sinal de que sua energia teria acabado. A garotada vibrava vendo as aventuras de Tony Stark, paladino na luta contra o mal.

Agora, Stark volta na pele de Robert Downey Jr. (de ”Chaplin”). A vida desse inventor e maior fornecedor de armas do governo estadunidense nunca mais será a mesma depois que ele é atacado e mantido refém por um grupo de rebeldes afegãos. Ferido por estilhaços de granada que se alojam perto de seu coração, Tony recebe a ordem de construir no cativeiro uma devastadora arma, mas, em vez disso, usa suas habilidades para criar uma armadura que permite que ele consiga fugir. Ao retornar aos Estados Unidos, Tony promete dar um novo rumo às Indústrias Stark. Ele passa dias e noites desenvolvendo e aperfeiçoando uma avançada armadura que lhe propiciará uma força sobre-humana. Quando Tony descobre um plano abominável com implicações globais, jura proteger o mundo como sua nova personalidade: o Homem de Ferro.

O filme conseguiu uma proeza: unir efeitos especiais a um roteiro inteligente. Então, ao mesmo tempo que temos diálogos sagazes e citações bem-humoradas, vemos seqüências de ação de tirar o fôlego. Você consegue imaginar um ser humano voando entre as nuvens, quilômetros acima do solo, sendo perseguido por dois caças? E tudo de que ele dispõe é uma armadura de ferro.

No início do filme, Stark é um capitalista sem caráter, cuja razão de viver é o dinheiro. Mas ele acaba sendo triturado pelas circunstâncias e moído por seus inimigos, o que o faz repensar suas prioridades. Vemos que o nascimento do super-herói se dá num paralelo claro com o novo nascimento de muitos dos cristãos: mediante situações dolorosas. Afinal, a dor funciona como um santo despertamento para muitos, que só tomam jeito depois de passar pelo “vale”, como diz o jargão.

Bem, quem sabe com o lançamento do filme eu não me animo e reviro o sótão atrás do meu antigo boneco do Homem de Ferro? Afinal, com esse longa pode ser que ele volte a merecer um lugar mais honroso nas prateleiras.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

CotaçãoCotaçãoCotação

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Maratona do amor * Crítica

29 04 2008

Mudar é possível

É muito comum nos dias de hoje ouvir certas pessoas justificarem seus maus hábitos ou algum tipo recorrente de comportamento réprobo com o argumento de que ”eu sou assim mesmo”, que devemos aceitá-las ”do jeito que são”. Bobagem. Isso não passa de desculpas para justificar a preguiça ou o desinteresse. Todos podem melhorar, evoluir, se tornar indivíduos melhores e consertar seus erros. Zaqueu que o diga! O Cristianismo mesmo tem como pressuposto básico o mudar de rumo, o ”ir e não pecar mais”. Todos que passaram pelo novo nascimento sabem o que é mudar comportamentos de toda uma vida. Embora não advogue a mudança pelo poder do Espírito, ”Maratona do amor” mostra a simples verdade: mudar é possível.

Motivação é fundamental. No caso de Dennis Doyle, um fumante compulsivo, sedentário convicto e averso a responsabilidades, o que o impulsiona é o desejo de reconquistar o coração da mulher que ele abandonou no altar anos antes, Libby, vivida por Thandie Newton. A palavra de ordem é redenção. Não espiritual, mas moral e humana. Para dar uma guinada em sua vida, ele tem de encarar seus próprios sentimentos de inadequação. O processo de transformação de Dennis é apresentado com altas doses do tradicional humor britânico.

É interessante notar que, ao contrário da esmagadora maioria dos filmes do gênero, ”Maratona do amor” não defende uma improvável mudança radical na vida de um personagem a partir de um único evento radical. Pelo contrário, é realisticamente uma transformação que ocorre aos poucos: é uma jornada diária, paulatina. O prédio da melhoria é construído tijolo a tijolo.

O filme valoriza a família e os relacionamentos. Dennis recebe permissão de sua ex-noiva para visitar o filho do casal, apesar das rusgas entre pai e mãe, pois, como diz Libby, ”uma criança precisa de seu pai”. Mas…(suspiro)… como não existe perfeição entre os homens, o longa-metragem expõe nudez (o traseiro de um homem aparece em todas as cores) e há diversas piadas de cunho sexual. No todo, “Maratona do amor” transmite uma boa mensagem, embrulhada, porém, num pacote que deixa a desejar. Se tivesse mantido a essência e descartado alguns pontos – desnecessários – do roteiro, seria um filme para toda a família. Do jeito que está, é apenas para adultos.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

CotaçãoCotação

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