Maratona do amor * Crítica

29 04 2008

Mudar é possível

É muito comum nos dias de hoje ouvir certas pessoas justificarem seus maus hábitos ou algum tipo recorrente de comportamento réprobo com o argumento de que ”eu sou assim mesmo”, que devemos aceitá-las ”do jeito que são”. Bobagem. Isso não passa de desculpas para justificar a preguiça ou o desinteresse. Todos podem melhorar, evoluir, se tornar indivíduos melhores e consertar seus erros. Zaqueu que o diga! O Cristianismo mesmo tem como pressuposto básico o mudar de rumo, o ”ir e não pecar mais”. Todos que passaram pelo novo nascimento sabem o que é mudar comportamentos de toda uma vida. Embora não advogue a mudança pelo poder do Espírito, ”Maratona do amor” mostra a simples verdade: mudar é possível.

Motivação é fundamental. No caso de Dennis Doyle, um fumante compulsivo, sedentário convicto e averso a responsabilidades, o que o impulsiona é o desejo de reconquistar o coração da mulher que ele abandonou no altar anos antes, Libby, vivida por Thandie Newton. A palavra de ordem é redenção. Não espiritual, mas moral e humana. Para dar uma guinada em sua vida, ele tem de encarar seus próprios sentimentos de inadequação. O processo de transformação de Dennis é apresentado com altas doses do tradicional humor britânico.

É interessante notar que, ao contrário da esmagadora maioria dos filmes do gênero, ”Maratona do amor” não defende uma improvável mudança radical na vida de um personagem a partir de um único evento radical. Pelo contrário, é realisticamente uma transformação que ocorre aos poucos: é uma jornada diária, paulatina. O prédio da melhoria é construído tijolo a tijolo.

O filme valoriza a família e os relacionamentos. Dennis recebe permissão de sua ex-noiva para visitar o filho do casal, apesar das rusgas entre pai e mãe, pois, como diz Libby, ”uma criança precisa de seu pai”. Mas…(suspiro)… como não existe perfeição entre os homens, o longa-metragem expõe nudez (o traseiro de um homem aparece em todas as cores) e há diversas piadas de cunho sexual. No todo, “Maratona do amor” transmite uma boa mensagem, embrulhada, porém, num pacote que deixa a desejar. Se tivesse mantido a essência e descartado alguns pontos – desnecessários – do roteiro, seria um filme para toda a família. Do jeito que está, é apenas para adultos.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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3 responses

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