As crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian * Crítica

5 06 2008

principe-caspian-poster.jpg Aslam vive!

Mil anos se passaram na terra de Nárnia, mas apenas um transcorreu no nosso mundo. Os antigos reis e rainhas Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia precisam retornar ao seu reino para livrá-lo de invasores, os terríveis piratas telmarinos. Mais uma vez, eles contam com a imprescindível ajuda do leão Aslam. O resto da história está em ”As crônicas de Nárnia – principe-caspian-1.jpgPríncipe Caspian”, segunda adaptação para as telas da série de livros que o autor cristão C. S. Lewis escreveu para ensinar conceitos fundamentais do cristianismo a crianças e adolescentes, na forma de fábulas heróicas. Este é uma daquelas produções que são bom entretenimento, trazem mensagens positivas e ainda podem ajudar a ensinar verdades bíblicas às crianças.

principe-caspian-2.jpgNo primeiro episódio, a analogia com a história de Jesus era clara: depois de uma traição promovida por um dos meninos, Aslam – que prefigura o Leão de Judá – entrega-se à humilhação, tortura e morte nas mãos de seus inimigos para salvar seus súditos. Mas ele ressuscita e derrota a bruxa má, que simboliza Satanás. Desta vez, o segundo episódio da série (publicado originalmente em 1951) aborda outros temas fundamentais da fé cristã. Um deles é o da apostasia, quando os conquistadores telmarinos tentam eliminar os narnianos e sua cultura. A fé em um Deus que é invisível é outro assunto explorado, pois três das crianças não conseguem enxergar Aslam; só quando crêem que Lúcia o está vendo é que também passam a vê-lo.

Dirigido por Andrew Adamson (de ”Shrek” e do primeiro filme da série “Nárnia”), a nova produção traz o mesmo elenco de atores principais, incluindo Liam Neeson (de ”A lista de Schindler”) como a voz de Aslam principe-caspian-3.jpge a vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante deste ano por ”Conduta de risco”, Tilda Swinton, como a feiticeira. O filme chega às telas com seis meses de atraso, mas com muito fôlego, depois que ”As crônicas de Nárnia – O leão, a feiticeira e o guarda-roupa” faturou mais de 700 milhões de dólares nas bilheterias. E promete, uma vez que a adaptação de outro livro da saga, ”A viagem do peregrino da alvorada”, já está confirmada. Enquanto esse não chega, não perca ”Príncipe Caspian”. Diversão garantida com uma boa mensagem.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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[veja o trailer]





Indiana Jones e o reino da Caveira de Cristal * Crítica

5 06 2008

indiana-poster.jpg Tan-tarã-taaaan, tan-tarãn…

Indiana Jones é um nome que dispensa apresentações. O arqueólogo aventureiro que na década de 80 empolgou as salas de exibição em três filmes que são mentira pura mas são diversão garantida está de volta em ”Indiana Jones e o reino da Caveira de Cristal”. Agora, o personagem de Harrison Ford (ator que já está com 66 anos!) parte, sob a direção de Steven Spielberg, em busca de um antigo artefato alienígena que possui poderes perigosos.

indiana-1.jpgO que se pode dizer de um filme de Indiana Jones? Primeiro, não é para ser levado a sério. Senão, como aceitar que a Arca da Aliança fizesse pessoas derreterem ao ser aberta, como aconteceu em ”Os caçadores da arca perdida”? Detalhe: as que estavam com os olhos abertos, pois bastou a Indiana e sua namorada fechar os olhos para escapar da ”fúria divina”. Hmmmm. Ou como aceitar que a água colhida no cálice em que Jesus celebrou a última ceia ajudaria a curar feridas feitas a bala, como em ”Indiana Jones e a última cruzada”? Do mesmo modo, este quarto episódio da série, que se passa dez anos após o terceiro, é cheio de bobagens que envolvem alienígenas e coisas do gênero.
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indiana-4.jpgSegundo, que, apesar de todas as inverdades, os filmes da saga são sempre empolgantes, epítomes do que devem ser bons filmes de aventura. Terceiro, que são histórias extremamente bem humoradas, com doses de ironia e humor inteligente, em nada apelativo ou pastelão. Quarto, que tem aquela música-tema composta por John Williams que faz qualquer um se arrepiar: tan-tarã-taaaan, tan-tarãn…
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indiana-3.jpgindiana-5.jpgNa nova aventura, Indiana parte em busca da Caveira de Cristal, um artefato extraterrestre . A sempre ótima Cate Blanchett interpreta a vilã, que vai disputar a posse do misterioso artefato com o herói sexagenário. Para os pais, é importante ressaltar que, como nos três filmes anteriores, há cenas violentas, que envolvem armas letais e uma certa quantidade de agressividade. Embora não tão gráficas como temos vistos em muitos longas-metragens da atualidade, ainda assim são cenas de violência e merecem atenção.
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indiana-2.jpgUma das grandes dúvidas era se Harrison Ford daria conta do recado com a idade atual. A resposta é: dá. Claro que ele conta com uma grande ajuda de dublês mais jovens e da computação gráfica, mas isso não tira o gostinho de ver vovô Harrison em cena. Ele mesmo fez questão de atuar em muitas das cenas de ação e chegou a ameaçar abandonar o filme, caso não o deixassem manejar um chicote de verdade. É que, por questões de segurança, os produtores queriam criar o chicote por computador.

Para quem não gosta de mudanças e curte as histórias do arqueólogo mais famoso do mundo, ”Indiana Jones e o reino da Caveira de Cristal” é o filme ideal, pois mantém o mesmo nível de ação, adrenalina, humor e divertimento dos seus antecessores, sem chegar a ser ofensivo. Já dá até pra começar a cantar: tan-tarã-taaaan, tan-tarãn…

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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Grindhouse – À Prova de Morte * Crítica

5 06 2008

grindhouse-1.jpg Cresça, Tarantino!

Pense bem: o que faz um filme ser bom?

Pensou?

grindhouse-3.jpgSe o que veio a sua mente foi ”um bom roteiro”, ”grandes atores”, ”uma história que toque na nossa sensibilidade”, ”um mergulho profundo na alma humana”, ”mensagens edificantes” ou algo do gênero, passe longe de “Grindhouse – À Prova de Morte”. Este é um longa-metragem que só vai interessar a quem pensou ”violência”, ”morte”, ”dor”, ”mulheres seminuas”, ”tiroteios”, ”sangue”, ”uma história banal”, ”mais violência”, ”explosões” e coisas do gênero.

grindhouse-5.jpgDirigido pelo mestre da violência gratuita, Quentin Tarantino, a produção mostra um dublê (Kurt Russell) que persegue garotas pelas estradas num carro ”à prova de morte”. Que argumento, não? Muito violento, muito escatológico, muito feito para chocar. Pouco conteúdo.

grindhouse-2.jpg“Grindhouse – À Prova de Morte” é o que acontece quando se dá uma câmera e muito dinheiro nas mãos de um cineasta que tem sérios problemas psicológicos. Vá lá, em ”Kill Bill” pelo menos a violência era caricatural, em homenagem aos antigos e ridículos filmes de kung fu. Em ”Um drink no inferno”, a pancadaria era contra vampiros. Era irreal. Dava pra se relevar como ficção explícita. Mas, agora, Tarantino fez um filme vazio, bobo e violento. A troco de nada. Já está na hora de Tarantino sair da puberdade e começar a fazer cinema de gente grande.
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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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Stop-Loss * Crítica

5 06 2008

Remédio amargo

Poucos filmes me deram tanto trabalho na confecção de uma crítica quanto ”Stop-Loss”. Porque, por um lado, ele é um longa-metragem brilhante. Mas, por outro, é extremamente ofensivo para os olhos. Que cotação dar a uma produção como essa? Gastei muito tempo refletindo antes de ligar o computador para escrever.

Tudo começa quando o sargento estadunidense Brandon King (Ryan Philippe, numa interpretação excepcional) volta do Iraque, depois de cumprir seu tempo na guerra. Ele planeja recomeçar a vida, casar e seguir adiante. Mas, no dia de sua dispensa oficial, chega uma ordem do governo mandando que ele volte para o front. O recurso legal que o Estado utiliza é o ”stop-loss” do título, uma norma que determina que um soldado fique numa guerra além do tempo previsto em contrato, ao bel-prazer das Forças Armadas. Só que King se revolta e recusa-se a voltar, dando início a um longo e complicado processo.

Fica claro que os realizadores de “Stop-loss” são contra a guerra e decidiram construir uma narrativa que mostrasse ao máximo os horrores do campo de batalha e os problemas que seguem os combatentes depois que eles voltam para casa: ímpetos de violência, desequilíbrio emocional, alcoolismo, vício em drogas, depressão, problemas mentais e tendências suicidas, entre outros. Por isso, o filme é visualmente um pesadelo: as cenas são explícitas e angustiantes, brutais até. Os cineastas exibem balas atravessando cabeças e pescoços. A vítima de uma explosão é apresentada em carne viva. Homens, mulheres e crianças aparecem mortos e despedaçados. Realismo é a palavra da vez. É evidente que os realizadores tinham a intenção de chocar para desmascarar como é a face feia da guerra. E é aí que o longa-metragem mostra seu brilhantismo.

A guerra é uma abominação. Em sua maioria, é motivada por vis interesses humanos, ganância e materialismo. E, nesse sentido, ”Stop-loss” revela com genialidade a monstruosidade de conflitos insanos como o do Iraque. Mas, para isso, a estratégia utilizada foi mostrar sem filtros a violência e a sanguinolência das batalhas, junto com a perversidade das conseqüências da guerra na vida dos ex-combatentes. Como equilibrar isso mediante a ética bíblica? Uma coisa é certa: este não é um filme para crianças ou adolescentes. É impactante demais. Também não serve para cardíacos e pesoas sensíveis. Só recomendo para adultos com estômago de ferro.

A conclusão é: se você é a favor da guerra (do Iraque ou outra qualquer), assista a ”Stop-loss”. Se você tem um amigo que é a favor, convide-o para ir ao cinema. Se está na dúvida entre ser ou não a favor, compre o ingresso. Mas se você já é antibelicista, não machuque seus olhos com as imagens duras e explícitas deste filme. Às vezes, o remédio mais amargo é o que cura a doença. Mas se você não tem a doença, para quê tomar o remédio?

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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Ensinando a viver * Crítica

5 06 2008

Apesar das nossas imperfeições

Já teve a sensação de estar deslocado, de ser diferente, de não pertencer? Como cristão, peregrino nesta terra, certamente isso já deve ter acontecido em algum momento com você. ”Ensinando a viver” fala exatamente sobre essa sensação, por meio do relacionamento entre um homem e seu filho adotivo – ambos estranhos no ninho. Quando era criança, David (John Cusack) sempre se sentiu excluído e sonhava com o dia em que ETs viriam levá-lo para casa, no espaço sideral. Bem, eles nunca vieram, David cresceu, tornou-se um escritor de sucesso e pai adotivo do problemático Dennis, que…acredita ser um marciano em missão na Terra!

Este filme divertido e emocionante aborda questões como o poder redentor do amor e o real significado de família. Também fala positivamente da adoção de órfãos. O conceito principal do filme e a sua execução são muito bons: fala de dois seres humanos que se conectam. Baseado em um conto premiado do escritor David Gerrold, “Martian Child” é dirigido por Menno Meyjes e conta com performances bem convincentes dos atores, inclusive do jovem Bobby Coleman. Os diálogos são inteligentes e bem construíos, criando um filme sensível, divertido e adulto.

Se não fosse a utilização em vão do nome de Jesus em pelo menos seis ocasiões, este seria um longa-metragem impecável. Como quando David diz “Jesus é legal, mas as outras religiões têm tanto quanto a oferecer”. Sabiamente, na versão em DVD todas as ocorrências foram deletadas.

No geral, ” Ensinando a viver” é uma história que nos faz lembrar do próprio Deus, pois é possível ver em David a personificação do pai que abre mão de si em favor de quem ama, com abnegação, sensibillidade e amor incondicional. De certo modo, todos nós éramos órfãos espirituais, até que nosso Pai decidiu nos adotar – apesar de todas as nossas imperfeições.

Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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O amor não tem regras * Crítica

5 06 2008

Benditas legendas

O fato de ”O amor não tem regras” ter sido rodado nos Estados Unidos tem uma grande vantagem e uma grande desvantagem para nós, brasileiros. A desvantagem está no fato de que esta é uma história essencialmente estadunidense, que se passa num ambiente característico do país e gira em torno de um tema que pouco ou nada nos interessa: futebol americano. Se não tivesse George Cloney e Renée Zellwegger no elenco, seria bem possível que por aqui saísse direto em DVD.

Agora, a vantagem: como assistimos ao filme com legendas, somos poupados dos incontáveis usos do nome de Deus em vão. Parece que Clooney não consegue conversar dois minutos sem soltar o imprecativo ”Goddamn!”, uma mistura de ”Deus” (”God”) e ”damn” (algo como ”maldito”). Aí muitos vão dizer aue estou exagerando, que é só uma expressão idiomática e tal. Desculpem, mas, se o amor não tem regras, o cristianismo tem. A epítome das normas cristãs são os Dez Mandamentos, escritos pelo próprio Deus nas tábuas entregues a Moisés e apresentadas a nós em Êxodo 20. Pois o terceiro mandamento, que, inclusive, vem antes de ”não matarás” e ”não adulterarás”, é ”não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus”. Se dizer ”Goddamn!” não é uma ofensa a esse mandamento…então não sei o que é!

Mas vamos à história: essa comédia romântica se passa no ano de 1920 no mundo do futebol americano. O proprietário (George Clooney) de uma equipe de jogadores profissionais de idade avançada tenta fazer com que um astro universitário desista do time para que ele tente sua sorte em uma nova liga profissional. Para isso, inventa a mentira de que o atleta seria um herói de guerra, o que será investigado a fundo pela repórter vivida por Renée Zellwegger.

O filme captura bem os anos 1920, tanto pela trilha sonora quanto pela direção de arte. Clooney e Zellweger estão muito convincentes em seus papéis e ajudam a fazer deste um longa-metragem verdadeiramente engraçado. Parece mesmo uma daquelas antigas e inocentes comédias românticas de situação com Clark Gable ou Cary Grant. Ah, se não fosse a quebra abusiva do terceiro mandamento… aí teríamos um filme bem interessante para quem gosta de cinema biblicamente adequado. É nessas horas que vale a pena ser brasileiro e passar por cima dos muitos ”goddamns” – graças ao filtro das legendas. Benditas sejam.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

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