O amor não tem regras * Crítica

5 06 2008

Benditas legendas

O fato de ”O amor não tem regras” ter sido rodado nos Estados Unidos tem uma grande vantagem e uma grande desvantagem para nós, brasileiros. A desvantagem está no fato de que esta é uma história essencialmente estadunidense, que se passa num ambiente característico do país e gira em torno de um tema que pouco ou nada nos interessa: futebol americano. Se não tivesse George Cloney e Renée Zellwegger no elenco, seria bem possível que por aqui saísse direto em DVD.

Agora, a vantagem: como assistimos ao filme com legendas, somos poupados dos incontáveis usos do nome de Deus em vão. Parece que Clooney não consegue conversar dois minutos sem soltar o imprecativo ”Goddamn!”, uma mistura de ”Deus” (”God”) e ”damn” (algo como ”maldito”). Aí muitos vão dizer aue estou exagerando, que é só uma expressão idiomática e tal. Desculpem, mas, se o amor não tem regras, o cristianismo tem. A epítome das normas cristãs são os Dez Mandamentos, escritos pelo próprio Deus nas tábuas entregues a Moisés e apresentadas a nós em Êxodo 20. Pois o terceiro mandamento, que, inclusive, vem antes de ”não matarás” e ”não adulterarás”, é ”não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus”. Se dizer ”Goddamn!” não é uma ofensa a esse mandamento…então não sei o que é!

Mas vamos à história: essa comédia romântica se passa no ano de 1920 no mundo do futebol americano. O proprietário (George Clooney) de uma equipe de jogadores profissionais de idade avançada tenta fazer com que um astro universitário desista do time para que ele tente sua sorte em uma nova liga profissional. Para isso, inventa a mentira de que o atleta seria um herói de guerra, o que será investigado a fundo pela repórter vivida por Renée Zellwegger.

O filme captura bem os anos 1920, tanto pela trilha sonora quanto pela direção de arte. Clooney e Zellweger estão muito convincentes em seus papéis e ajudam a fazer deste um longa-metragem verdadeiramente engraçado. Parece mesmo uma daquelas antigas e inocentes comédias românticas de situação com Clark Gable ou Cary Grant. Ah, se não fosse a quebra abusiva do terceiro mandamento… aí teríamos um filme bem interessante para quem gosta de cinema biblicamente adequado. É nessas horas que vale a pena ser brasileiro e passar por cima dos muitos ”goddamns” – graças ao filtro das legendas. Benditas sejam.

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Maurício Zágari Tupinambá
Jornalista
Professor de Teologia Prática e Filosofia

CotaçãoCotação

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2 responses

5 06 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

[…] O amor não tem regras […]

9 08 2008
* * * C I N E G O S P E L * * * Cinema do ponto de vista cristão †

[…] ● O amor não tem regras […]




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