Wall E * Crítica

26 06 2008

Só para maiores

Entreter e ensinar. Eis aí uma boa receita para um filme infantil. Uma produção de extremos pode cair num moralismo piegas e sem sal ou numa oportunidade perdida para passar valores pra criançada. É uma pena que Wall E, não consegue acertar esse bendito equilíbrio. O filme educa que é uma beleza. Sua mensagem sobre o cuidado com o meio ambiente e o valor de relacionamentos leais estão explícitos e fazem qualquer pai aplaudir de pé. Mas enquanto os adultos assistem com brilho nos olhos, é bom ver se as crianças ainda estão acordadas.

A nova animação da Disney/Pixar conta a história de Wall-E, um robô cuja diretriz é coletar o lixo da terra. E ele segue sua programação perfeitamente, mesmo quando o único habitante é….uma barata. Essa é a rotina do filme durante longos minutos. Um robô programado pra não falar, empilhando materiais e interagindo com um inseto igualmente mudo. Tudo o que precisa ser dito é falado pelo silêncio. Naquele ambiente as verdades são metáforas poética e sensíveis, mas vai explicar isso pra galerinha com pipoca na mão?

O filme ganha outro ritmo quando uma sonda espacial, chamada Eva, surge para procurar algum sinal de vida verde no planeta azul. Daí pra frente a paixão robótica e a volta dos dois para a estação aonde vivem os humanos (que falam!) dinamiza o filme, mas ainda assim não o torna palatável ao público infantil. Hiper-consumo, ganância, preguiça e descuido. O filme combate com sensibilidade essas atitudes que têm destruído nosso planeta e que devem entrar na agenda de pregações da Igreja Cristã. Wall-E inspira a nos recolocarmos como os jardineiros de Deus (Gn 2.15) para cuidar da beleza da sua criação com responsabilidade, afinal:

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor.” Salmo 19.1-6

Pena que durante o filme, enquanto os adultos sonham, as crianças dormem.

Pr. Felipe Telles - Igreja Presbiteriana da Gavea
Pr. Felipe Telles
Psicólogo e Pastor Auxiliar
Igreja Presbiteriana da Gávea (RJ)

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